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07/04/2011 - 20h46

Ex-aluno abre fogo em escola do Rio e mata 11 crianças

RIO DE JANEIRO, 7 Abr 2011 (AFP) -Um ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, abriu fogo nesta quinta-feira e matou pelo menos 11 crianças, antes de cometer suicídio.

Dez meninas e um menino, com idades entre 12 e 14 anos, foram mortos e pelo menos 12 ficaram feridos no massacre, segundo último balanço das autoridades.

O atirador foi identificado pelos bombeiros como Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, que, segundo as autoridades, já havia sido aluno do centro de ensino e cometeu suicídio depois de enfrentar a polícia.

Um vídeo do circuito interno de câmeras da escola mostra alguns momentos do ataque: nele podem ser vistos adolescentes correndo desesperados, caindo ao chão e se levantando, tentando escapar do atirador, que passa a toda velocidade diante da filmadora.

Outro vídeo publicado no Youtube mostra alunos saindo ensanguentados pela porta de entrada da instituição de ensino.

"Funcionários da escola informaram aos policiais que o jovem chegou bem vestido, carregando uma mochila, e disse que daria uma palestra para os alunos. Foi assim que subiu ao terceiro andar do prédio", afirmou o coronel Evandro Bezerra, relações públicas do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

O coronel disse ainda que o atirador aparentemente premeditou o ataque. Wellington deixou uma carta incogruente, carregada de referências religiosas e na qual anunciou seu suicídio.

"Deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem usar luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas", diz a carta encontrada pela polícia nas roupas de Weillington e distribuída à imprensa.

"Nada que seja impuro poderá tocar meu sangue", completou o assassino, que deixou instruções de que seu corpo fosse despido, banhado e envolvido em um lençol branco que afirmou ter levado à escola onde cometeu os crimes.

Para o coronel Bezerra, Wellington foi à escola "preparado para fazer isso". Segundo o coronel Djalma Beltrame, comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, "um policial que chegou à escola conseguiu ferir o criminoso na perna na troca de tiros, mas o homem se matou com um tiro na cabeça".

De acordo com Beltrame, alguns policiais participavam em uma operação de fiscalização de vans ilegais quando um aluno ferido conseguiu fugir e alertar a um dos agentes.

"Se os policiais não chegassem tão rápido, a tragédia teria sido ainda maior porque ele tinha muita munição e carregava duas armas", declarou.

O secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cortes, informou que entre os feridos, haveria funcionários do colégio.

O ataque aconteceu no início das aulas, numa escola frequentada por cerca de 400 alunos. A polícia isolou o lugar para conter a multidão de pais, vizinhos e amigos que buscavam informações, em meio a cenas de desespero.

Elúzia, uma moradora do bairro que tem casa diante da escola, afirmou à AFP que seu filho de 10 anos conseguiu escapar do ataque.

"Ele olhou pela janela ao ouvir os tiros e, mesmo sem ter visto nada, começou a correr até a porta e graças a Deus está bem", disse.

"Vi muitas pessoas correndo, baleadas, foi horrível", acrescentou.

"Este bairro é muito tranquilo, nunca imaginei que algo assim aconteceria".

Elizer, funcionários dos correios que vive na região, afirmou que duas crianças bateram em sua porta feridas.

"Duas crianças correram para minha casa, estavam atirando em todas as direções. Minha filha e meus dois sobrinhos estavam lá. Mas estão bem", completou à AFP.

Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff prestou uma emocionada homenagem às vítimas do massacre.

"Não era e não é característica deste país viver este tipo de crime. Estamos todos unidos em repúdio a este ato de violência contra crianças indefensas. Por isso quero prestar homenagem a estas crianças inocentes que perderam a vida e o futuro neste crime", afirmou.

Com a voz embargada, Rousseff pediu um minuto se silêncio para mostrar "nossa homenagem a estes brasileirinhos que foram retirados tão prematuramente da vida".

"É uma tragédia sem precedentes no Brasil", enfatizou o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Os feridos estão sendo atendidos em vários hospitais, dependendo da gravidade de cada caso, indicou o secretário de Saúde. Alguns foram transportados em helicóptero, comprovou a AFP.

Este é o primeiro caso de massacre numa escola ocorrido no Brasil e a imprensa local chegou a compará-lo com a tragédia americana de Columbine, quando dois jovens, de 17 e 18 anos, armados com revólveres e mais de 30 bombas artesanais, abriram fogo num colégio do Colorado, matando 12 alunos e um professor antes de se suicidar.

O único precedente de um ataque em uma instituição educacional na região remonta a setembro de 2004 na Argentina, quando um aluno de 15 anos matou a tiros três colegas e feriu cinco num colégio da localidade de Carmen de Patagones, sul de Buenos Aires.

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