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28/07/2011 - 14h33

Ollanta Humala assume a presidência do Peru, que gira para a esquerda

LIMA, Peru, 28 Jul 2011 (AFP) -Ollanta Humala, um militar reformado de 49 anos, converteu-se nesta quinta-feira no primeiro presidente de esquerda do Peru em quase quatro décadas, e terá o desafio de "acabar com o dilacerante rosto da exclusão e da pobreza" em um país que cresce de maneira acelerada.

Hulama prestou juramento na sede do Congresso diante do presidente do Legislativo, Daniel Abugattás, e na frente de uma dezena de presidentes estrangeiros, a grande maioria deles sul-americanos.

"Juro pela pátria que exercerei fielmente o cargo de presidente da República pelo período presidencial 2011-2016", disse o presidente, que imediatamente recebeu a faixa de Abugattás.

Humala também afirmou que defenderá "a soberania nacional, a ordem constitucional e a integridade física e moral da República, e suas instituições democráticas, honrando o espírito, os princípios e os valores da Constituição de 1979".

"Reconhecerei e respeitarei a liberdade de culto e de expressão e lutarei incansavelmente para conquistar a inclusão social de todos os peruanos, especialmente dos mais pobres", acrescentou o novo presidente.

Após os juramentos de seus dois vice-presidentes, Humala iniciou seu discurso à Nação, afirmando que recebia o cargo "com humildade e fervor patriótico".

Em meio aos aplausos e vivas dos congressistas, o presidente afirmou seu compromisso de acabar com o "dilacerante rosto da exclusão e da pobreza e construir um Peru para todos".

Também se referiu a "uma pátria inclusiva" como seu grande objetivo e falou sobre a necessidade de que "a corrupção seja punida".

Ao falar da economia afirmou que "os acordos comerciais com países amigos serão honrados" e ressaltou que o Peru irá manter uma "economia de mercado aberta ao mundo".

Humala é o primeiro esquerdista no poder no Peru desde 1975, quando houve a queda do general Juan Velasco Alvarado, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em 1968 e se uniu com os partidos de esquerda para realizar uma reforma agrária e tomar outras medidas redistributivas.

O novo presidente substitui no cargo o populista de direita Alan García, que não assistiu à cerimônia de posse para evitar ser vaiado, segundo manifestou há alguns dias.

García preferiu entregar a faixa presidencial um pouco mais cedo ao chefe da Casa Militar no pátio do Palácio do Governo e se dirigiu a sua residência no leste de Lima.

O novo presidente recebe um país de 28 milhões de habitantes em pleno boom econômico, que cresceu 8,8% em 2010, mas que tem um terço de sua população na pobreza.

Seu principal objetivo será manter o caminho que permita prosseguir com este crescimento - apontado por uma vigorosa atividade mineradora - e ao mesmo tempo executar seu plano de inclusão, uma agenda pendente de seus antecessores em um país onde, segundo a Defensoria do Povo, herdará 217 conflitos sociais, dos quais 139 ativos.

Como prova de seu compromisso, o primeiro gabinete ministerial, que tomará posse um pouco mais tarde nesta quinta-feira, mescla liberais nas áreas econômicas e políticos de esquerda nas áreas sociais.

Seu primeiro-ministro é o rico empresário Salomón Lerner Ghitis, seu chanceler é o intelectual de esquerda Rafael Roncagliolo e o novo ministro de Economia é o liberal ortodoxo Miguel Castillo.

Sem experiência em cargos públicos para além de algumas missões diplomáticas na França e na Coreia do Sul, Humala tornou-se um mistério.

O novo presidente ficou conhecido por uma tentativa de golpe de Estado em 2000 contra o governo autoritário e corrupto do presidente Alberto Fujimori, pelo qual foi anistiado posteriormente pelo presidente Valentín Paniagua.

Depois reapareceu na política em 2006 com um discurso radical de esquerda que repercutiu em vários setores - especialmente entre os pobres do sul do Peru -, mas sua proximidade com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afundou esta primeira aspiração à presidência do país.

Em 2011 chegou com uma mensagem mais moderada, declarando-se seguidor do modelo do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que mistura uma macroeconomia liberal com fortes componentes sociais.

Este discurso moderado conquistou a população e foi o que lhe deu a vitória, segundo os analistas.

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