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19/08/2011 - 09h32

Ativista indiano anticorrupção Anna Hazare inicia greve de fome

NOVA DÉLHI, 19 Ago 2011 (AFP) -O ativista indiano Anna Hazare iniciou esta sexta-feira, logo após sair da prisão, uma greve de fome de duas semanas, que pode reforçar a onda de protestos contra a corrupção no país, à qual o governo não tem sabido responder.

"Devemos gerar uma mudança total ao país", disse este admirador de Gandhi de 74 anos à multidão que o aclamava na esplanada do centro de Nova Délhi, onde as autoridades o autorizaram a levar adiante sua greve de fome durante duas semanas.

O líder radical havia saído momentos antes da prisão de Tihar, em Nova Délhi, onde permanecia recluso após ter sido detido na terça-feira.

Sorridente e saudando simpatizantes ao deixar a prisão, prometeu às milhares de pessoas reunidas para recebê-lo continuar com sua greve de fome "até que a Índia esteja livre da corrupção".

Em seguida, subiu em um caminhão aberto, que o levou a uma esplanada, no centro de Délhi, onde iniciou seu jejum para pressionar o governo, ao qual pede leis anticorrupção mais fortes.

De origem humilde, Hazare serviu o exército durante 15 anos antes de dar baixa e se dedicar ao ativismo, criando a associação Movimento do Povo contra a Corrupção.

Transformou-se em uma figura nacional, cuja popularidade desestabilizou o governo, eleito em 2009 com uma contundente maioria parlamentar.

Sua campanha se alimentou do profundo descontentamento, particularmente de parte da crescente classe média, contra uma cultura que generaliza os subornos para assegurar qualquer coisa, de licenças empresariais a certidões de nascimento.

Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas das cidades do país nos últimos dias na demonstração de descontentamento popular mais significativa dos últimos 30 anos.

A resposta do governo, particularmente a detenção inicial de Hazare e de milhares de seus partidários, tem sido amplamente criticada como uma reação trôpega de uma administração que perdeu o contato com seu eleitorado.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, que parece cada vez mais vulnerável, denuncia a campanha de Hazare como uma tentativa "totalmente equivocada" de socavar a democracia parlamentar, mas suas palavras tiveram pouco eco.

Embora tenha sido oficialmente libertado na noite de terça-feira, Hazare se negou a deixar sua cela até que as autoridades suspendessem as restrições ao que chamou, originalmente, de um indefinido "jejum até a morte".

Em uma concessão embaraçosa para a coalizão liderada pelo Partido do Congresso de Singh, finalmente conseguiu a permissão para levar adiante a greve de fome de 15 dias em uma ampla esplanada, normalmente reservada a festividades religiosas.

Mas em um novo desafio às autoridades, Hazare disse estar disposto a ir além destas restrições também.

"Minha saúde é boa", disse em um vídeo divulgado de sua cela, na noite de quinta-feira.

"Sinto que posso ir além dos 15 dias autorizados pelo governo. Pedirei permissão para prolongar o jejum outra semana. Não deixarei de lutar", disse.

Com a veste branca e os grandes óculos característicos e sua defesa da greve de fome como forma de protesto não violento, o ativista veterano é visto por muitos de seus seguidores como um novo Mahatma Gandhi.

O momento é especialmente ruim para Singh, de 78 anos, já atingido por uma sucessão de escândalos de corrupção multimilionários nos quais estão envolvidos políticos de alto escalão.

Seu ex-ministro de Telecomunicações está sendo julgado por fraude relativa a licença de telefonia móvel, que pode ter custado ao país até 39 bilhões de dólares em tributos não recebidos.

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