Hugo Chávez falta outra cúpula, Venezuela se interroga sobre sua saúde

CARACAS, 06 dez 2012 (AFP) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ficará fora de outra grande reunião de cúpula internacional ao não viajar nesta quinta-feira para a reunião do Mercosul em Brasília, aumentando a incerteza na Venezuela em relação ao estado de saúde do mandatário, que está sendo submetido a um tratamento em Cuba.

"O presidente Chávez não virá à cúpula, a Venezuela será representada por (o chanceler e vice-presidente) Nicolás Maduro", disse à AFP em Brasília uma fonte da Chancelaria brasileira.

No entanto, o governo venezuelano, apesar das especulações divulgadas pela imprensa e nas redes sociais, não se pronunciou a respeito, em outra mostra da falta de transparência com que administra as informações relacionadas à saúde de Chávez.

Semanas depois de ter sido reeleito em 7 de outubro, o presidente venezuelano garantiu que assistiria à cúpula que o bloco sul-americano realiza na sexta-feira em Brasília, a primeira da Venezuela como sócio pleno após a sua entrada formal no dia 31 de julho, fato considerado vital para o desenvolvimento econômico do país.

O mandatário, de 58 anos, apareceu pela última vez em público no dia 15 de novembro, e quase duas semanas depois, em 27 de novembro, viajou para Cuba por tempo indeterminado para se submeter a um tratamento médico por um câncer diagnosticado em 2011, e do qual havia se declarado curado.

Mas ao contrário do que aconteceu na maioria de suas viagens anteriores à ilha, não houve discurso de despedida antes de entrar no avião, nem mensagens no Twitter, nem fotografias na imprensa.

Um comunicado do jornal cubano Granma indicava que o mandatário tinha viajado para se submeter a um tratamento complementar de oxigenação hiperbárica, depois de ter concluído seis meses atrás vários ciclos de radioterapia para combater uma volta do câncer.

De acordo com a American Cancer Society, apesar de "não existir evidância" de que a oxigenação seja efetiva contra o câncer, é comprovado que pode ser usada como "tratamento adicional para lesões causadas pela radiação".

No último ano e meio, o presidente se ausentou se praticamente todas as reuniões regionais, como a Cúpula das Américas de Cartagena das Índias (Colômbia) o da Ibero-Americana de Cádiz (Espanha).

"A saúde de Chávez é um enorme mistério, não há forma de saber exatamente a que se deve sua presença ou ausência nos últimos dias", disse à AFP o cientista político Ángel Álvarez.

Em Brasília, a participação do vice-presidente e chanceler Nicolas Maduro na cúpula do bloco formado por Brasil, Argentina e Uruguai (o Paraguai está suspenso) mostra que seu nome ganha cada vez mais força como sucessor de Chávez.

"Maduro deve participar da cúpula por sua trajetória como chanceler. Ele é o melhor porta-voz internacional que Chávez tem neste momento", explica o cientista político, lembrando que a questão da sucessão não está resolvida e que há outros nomes, como Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional e número dois do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Por outro lado, a ausência de Chávez, que não indicou a data de seu retorno de Havana, coincide com a campanha pelas eleições regionais de 16 de dezembro, nas quais tenta obter uma contundente vitória de seus candidatos para implantar seu projeto socialista e tirar da oposição os estados mais ricos e populosos.

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