Catalunha desafia Madri e marca data para referendo pela independência

BARCELONA, 12 dez 2013 (AFP) - O presidente da Catalunha, Artur Mas, anunciou nesta quinta-feira a realização, no dia 9 de novembro de 2014, de um referendo sobre a independência desta região do nordeste da Espanha, desafiando Madri, que classificou a iniciativa de "erro histórico" e assegurou que isso nunca acontecerá.

"É uma pergunta subdividida em duas. A primeira é: Quer que a Catalunha seja um Estado? Sim ou não. A segunda, em caso de resposta afirmativa, é: Quer que este Estado seja independente? Sim ou não.", explicou o nacionalista Mas em uma entrevista coletiva à imprensa em Barcelona.

O chefe de governo conservador Mariano Rajoy, deixou claro que esse tipo de consulta é inconstitucional e que, por isso, não será realizada.

O referendo "não vai acontecer", afirmou Rajoy, assegurando que não se pode "negociar" esta questão.

Pouco antes, o ministro da Justiça, Alberto Ruiz Gallardón, havia afirmado que "a consulta não vai ser realizada porque a Constituição não autoriza uma Comunidade Autônoma a submeter a consulta ou a referendo questões que afetam a soberania nacional e cuja disposição cabe a todos os espanhóis".

Isso "está provocando uma divisão social, uma confrontação social na Catalunha sem precedentes, é um erro histórico", afirmou o ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz.

Orgulhosa de seu idioma e de suas tradições, a Catalunha, uma região de 7,5 milhões de habitantes, é sacudida há mais de um ano por uma forte onda separatista, fortalecida pela crise econômica e iniciada com reivindicações por leis fiscais mais justas.

O governo de Rajoy rejeitou em setembro de 2012 a reivindicação de uma autonomia fiscal maior e Mas, um moderado no começo, se comprometeu a promover um referendo em 2014.

"A data, como qualquer data, é muito concreta: 9 de novembro de 2014", ressaltou o presidente regional catalão, lembrando o compromisso de que "a consulta seja realizada em 2014". "E assim será", acrescentou.

O acordo foi negociado por quatro formações políticas catalãs com ampla maioria no Parlamento regional, que ainda tem que ratificá-lo.

A União Europeia vem evitando se envolver, até o momento, nos assuntos internos de um Estado membro, embora tenha lembrado em várias ocasiões que uma Catalunha independente seria rejeitada pelo bloco.

Segundo a última pesquisa do Centro de Estudos de Opinião da Catalunha, 48,5% das pessoas consultadas acreditam que a região deve ser um Estado independente, 21,3% apostam em uma federação com a Espanha e 18,6% desejam manter a situação atual.

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