Farc negam que aborto sejam prática forçada em suas fileiras

Havana, 3 Jan 2016 (AFP) - A guerrilha das Farc negou neste domingo que o aborto seja uma prática obrigatória em suas fileiras e que "o enfermeiro" Héctor Albeidis Arboleda, acusado pelas autoridades colombianas de realizar cerca de 150 abortos forçados em guerrilheiras, tenha feito parte do grupo rebelde.

"Não foi nossa organização que lhes tirou o direito de serem mães, mas a guerra que nos impuseram os que detêm o poder", declarou o secretariado do Estado-Maior Central das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em um comunicado postado no site de sua delegação de paz (www.pazfarc-ep.org).

No texto, as Farc defenderam o aborto regulado como um "direito fundamental" das guerrilheiras e negaram que a "contracepção obrigatória" seja uma regra na organização, como acontece em outros Exércitos do mundo.

A guerrilha destaca que "esse direito das combatentes é agora abrigado por regras que proíbem qualquer intervenção sem o consentimento da guerrilheira e determinam um tempo máximo de três meses para sua realização".

As Farc também negaram que Albeidis Arboleda, capturado em Madri, na Espanha, tenha integrado o grupo.

De acordo com as investigações da Procuradoria colombiana, a maior parte dessas interrupções de gravidez foi praticada em guerrilheiras menores de idade, que integravam as Frentes 47 e 9 das Farc.

"As direções nacionais e do bloco fizeram as averiguações pertinentes nas duas frentes citadas, e nos certificamos de que em nenhuma dela militou, ou sequer se conhece o personagem em menção. Portanto, está claro que se trata de uma armação judicial e midiática", acrescentou a guerrilha, no comunicado.

"O Enfermeiro" foi detido em 12 de dezembro em Madri, mas dois dias depois um juiz espanhol deixou-o em liberdade, com medidas cautelares, à espera de uma eventual extradição para a Colômbia. O juiz considerou que os fatos pelos quais o réu é acusado "podem ter prescrito" e que o mesmo sofre de uma doença degenerativa.

Desde 2006, o aborto é legal na Colômbia apenas em caso de má-formação do feto, quando a gravidez é produto de estupro, ou quando a mãe corre perigo de vida.

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