Cinco opositores que Cuba teria libertado estariam presos de novo

Havana, 5 Jan 2016 (AFP) - Cinco opositores cubanos, de um grupo de 53 presos libertados há um ano como parte do processo de aproximação diplomática com os Estados Unidos, estão novamente detidos - denunciou a Comissão Cubana de Direitos Humanos nesta segunda-feira.

Entre os dissidentes que voltaram a ser presos está Vladimir Morera, que permanece recluso em um hospital penitenciário da cidade de Santa Clara, no centro da ilha. Em 9 de outubro, ele iniciou uma greve de fome em protesto por sua condenação a quatro anos de prisão.

Hoje, seu filho, Vladier Morera, disse que o ativista voltou a ingerir alimentos em 31 de dezembro.

"Ontem, eu o vi no hospital, bebendo suco e tomando sopa. Meu pai não se lembra de nada, não sabe por que foi condenado, nem por que estava em greve de fome", relatou Vladier, em conversa por telefone com a AFP.

Além de Moreira, estariam detidos Wilfredo Parada Milian, Jorge Ramírez Calderón, Carlos Manuel Figueroa e Aracelio Ribeaux Noa.

Segundo o relatório da instituição sobre "repressão política" em 2015, os cinco presos políticos foram levados para presídios de alta segurança no segundo semestre de 2015.

Todos eles foram presos "mediante processos viciados e sem as devidas garantias processuais", completou o texto.

A Comissão aponta que, em 2015, houve 8.616 detenções na Ilha, a maioria de curta duração. O número é menor do que o 2014, quando 8.889 pessoas foram detidas.

O relatório acrescenta que os casos de "repressão política" continuaram em 2015, "contrariando as notórias expectativas alimentadas pelo anúncio do restabelecimento de relações diplomáticas" entre Cuba e Estados Unidos.

Em dezembro passado, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, manifestou, de Genebra, sua preocupação com as detenções "arbitrários" e com "detenções a curto prazo" em Cuba.

"com frequência, acontecem sem uma ordem judicial e antes de reuniões, ou de manifestações específicas, e parecem estar dirigidas a evitar que as pessoas exerçam seu direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica", completou o texto.

As autoridades cubanas, que negam ter prisioneiros por motivos políticos, não se pronunciaram ainda sobre a denúncia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos