Macaco gigante à la King Kong desapareceu por não se adaptar

Paris, 4 Jan 2016 (AFP) - O 'Gigantopithecus', um macaco gigante com ares de King Kong, desapareceu da superfície da Terra há um milhão de anos por causa de sua incapacidade de se adaptar às mudanças ambientais, de acordo com cientistas.

Medindo dois a três metros de altura para 200 a 500 quilos, ele certamente continuará a ser o maior macaco na história do planeta.

Os restos do Gigantopithecus que estão disponíveis são limitados a quatro mandíbulas inferiores e "centenas, talvez milhares de dentes isolados", mas os investigadores têm pouca informação sobre este monstro.

"É claramente insuficiente para dizer se o animal era bípede ou quadrúpede ou mesmo imaginar as suas proporções", disse à AFP Hervé Bocherens, do Centro Senckenberg de Evolução Humana e paleo-ambiente (Alemanha), co-autor de um estudo publicado no site da revista Quaternary International.

"Alguns o descrevem como um orangotango de grandes dimensões, opção escolhida para o Rei Louie (o rei dos macacos que sequestra Mogli no 'O Livro da Selva', ndlr) num filme que será lançado em março. Mas outros o retratam como um gorila preto", acrescentou o cientista.

Com uma equipe internacional de pesquisadores, Hervé Bocherens estudou o esmalte do dente gigante mostrando que ele viveu exclusivamente na floresta.

Os primeiros dentes Gigantopithecus foram encontrados em 1930 entre os "dentes de dragão" vendidos como um remédio numa farmácia chinesa.

"Nossos resultados indicam que estes grandes primatas viveram apenas nas florestas, tirando dali seu alimento", afirmou Hervé Bocherens, acrescentando que eles eram vegetarianos.

Para os pesquisadores, o tamanho do Gigantopithecus e o fato de que ele estava confinado a apenas um tipo de habitat levou à sua extinção.

Mas os parentes deste grande macaco, como o orangotango, ainda estão por aqui, enquanto eles também apenas vivem nas florestas. Mas têm um metabolismo lento e podem sobreviver com pouca comida.

"Por causa de seu tamanho, o Gigantopithecus certamente precisava de uma quantidade maior de alimentos", avaliou o pesquisador.

Mas no Pleistoceno - de 2,58 milhões de anos a 9.600 anos antes de nossa era - muitas áreas de floresta se transformaram em pastagens, "fornecendo alimento suficiente para o macaco gigante", ressaltou Hervé Bocherens.

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