Obama se emociona ao pedir urgência no controle de armas nos EUA

Washington, 5 Jan 2016 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira um pacote de decretos sobre o controle de armas com um apelo dramático ao país para a "urgência" de agir no tema para por um ponto final a um drama que mata milhares de pessoas todos os anos.

"Agora devemos sentir a urgência absoluta, já que as pessoas estão morrendo. E as constantes desculpas para a inação não funcionam mais. Não bastam mais", disse o presidente na Casa Branca, em um discurso no qual não conseguiu evitar as lágrimas.

Obama lembrou que "a cada ano mais de 30 mil americanos têm suas vidas ceifadas por armas", e indicou que os Estados Unidos são "o único país avançado no mundo em que este tipo de violência indiscriminada ocorre com esta frequência. Isto não acontece em outros países".

Calcula-se que circulem mais de 300 milhões de armas nos Estados Unidos, mais de uma por habitante.

O presidente americano estava acompanhado de seu vice, Joe Biden, e cercado por familiares de vítimas fatais de armas de fogo, aos quais homenageou.

"Centenas de milhares de americanos perderam irmãos e irmãs, ou sepultaram seus filhos. Outros tiveram que aprender a viver com deficiências. Ou aprender a viver sem o amor de suas vidas. E várias dessas pessoas estão aqui agora", disse o presidente.

No momento mais delicado do discurso, Obama chorou ao lembrar as crianças mortas a tiros em uma escola de ensino fundamental de Sandy Hook, em Connecticut, em dezembro de 2012.

"Toda vez que penso nestas crianças, me sinto mal", disse o presidente, esforçando-se para de recompor.

Mensagem dura ao CongressoDurante a cerimônia, Obama reservou fortes críticas ao Congresso e ao multimilionário lobby dos fabricantes e vendedores de armas, que até o momento bloquearam qualquer tentativa de discussão de uma legislação sobre o controle de armamentos.

"O lobby das armas poderia estar fazendo o Congresso refém agora mesmo, mas eles não podem tomar os Estados Unidos como reféns", disse o presidente, para quem estes grupos são "barulhentos e bem organizados para que seja fácil que as armas estejam disponíveis para todos, a qualquer momento".

Obama enfatizou que "o Congresso tem que agir" e anunciou que, enquanto o Legislativo não intervier no caso, ele, como presidente da República, usará as atribuições do cargo para assinar decretos.

Um deles exige a checagem de antecedentes criminais de vendedores de armas de fogo - um requisito para obter uma licença -, não só para aqueles que operam em um espaço físico, mas também para os que o fazem pela internet ou nas feiras de armamentos montadas em centros comerciais.

O pacote de medidas também exige a verificação de antecedentes criminais na compra de armamento através de grupos, sociedades ou organizações locais e inclui o aumento substancial do pessoal especializado que ficará encarregado de checar os antecedentes.

A Casa Branca propõe, por outro lado, aumentar a ajuda a pessoas que sofrem de transtornos mentais graves e incentivar o desenvolvimento de tecnologias para aumentar a segurança das armas de fogo.

Reação imediataA Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), principal defensora e lobista do comércio de armas, respondeu que as declarações de Obama não podiam ser levadas a sério.

"O momento destes anúncios, no oitavo e último ano de sua presidência, demonstra não só a exploração política, mas também uma fundamental falta de seriedade", expressou o diretor-executivo da entidade polêmica, Chris Cox.

Representantes do opositor partido Republicano reagiram praticamente de imediato às medidas de Obama, repetindo que o direito a ter armas está contemplado na segunda emenda da Constituição e, portanto, o presidente não pode limitar este direito.

"Obama ama suas armas", estampou em seu site oficial o pré-candidato presidencial Ted Cruz, ferrenho opositor a qualquer medida de controle do acesso às armas de fogo. A frase estava acompanhada de uma foto de Obama vestindo roupas de combate.

Já o senador John McCain alegou que, "além dos méritos", as medidas anunciadas por Obama "são um clássico abuso do poder Executivo".

Enquanto isso, Prince Priebus, presidente do Comitê Nacional Republicano, considerou em nota oficial que as declarações de Obama eram "ofensivas e políticas", e que os americanos "não tolerarão" esta iniciativa que ultrapassa suas atribuições.

Neste sentido, em seu discurso, o presidente descartou que as iniciativas anunciadas nesta terça-feira atropelem a Constituição ou a polêmica segunda emenda. "Sou professor de direito constitucional, entendo um pouco disso", ironizou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos