ONU envolvida em novo escândalo sexual na República Centro-Africana

Nova York, 5 Jan 2016 (AFP) - A ONU anunciou nesta terça-feira que abriu uma investigação sobre novas acusações de abusos sexuais supostamente cometidos por seus capacetes azuis na República Centro-Africana.

As vítimas seriam quatro jovens submetidas a "abusos sexuais e exploração sexual" em Bangui por soldados de três países que não foram mencionados e que participavam da missão da ONU do país (Minusca).

Fontes ligadas ao caso informaram que os soldados envolvidos são originários do Gabão, do Egito e do Marrocos.

As jovens foram interrogadas pelos investigadores da Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, informou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.

Dujarric declarou que a missão "está investigando novas alegações relativas tanto a exploração sexual e o abuso e à má conduta das forças de paz da ONU em Bangui".

A ONU garantiu as denúncias contra a "força internacional" em Bangui serão investigadas, sem proporcionar maiores detalhes. As novas acusações poderiam elevar a 26 o número de casos de abusos sexuais dirigidas contra as forças de paz do organismo no país.

As autoridades centro-africanas foram informadas, assim como os países que enviam as tropas, com o intuito de que os investiguem e eventualmente apliquem sanções contra seus militares, como preveem as regras.

Os efetivos envolvidos são acusados de estupro, exploração sexual e sexo intergeracional com as jovens - algumas das quais viviam num acampamento para civis desabrigados em Bangui, disse um funcionário da ONU.

Citando um comunicado da Minusca, Dujarric afirmou que o chefe da missão, o gabonês Parfait Onanga Anyanga, reiterou a "política de tolerância zero" aplicada oficialmente pela ONU contra crimes sexuais.

Mesmo assim, os casos de abusos sexuais têm sido um problema recorrente em algumas missões de paz da ONU.

Estas novas acusações vêm à tona quando a ONU acaba de sair de um escândalo de abuso de menores por parte de soldados franceses enviados para a República Centro-Africana.

Em meados de dezembro, um grupo de especialistas independentes denunciou um "fracasso flagrante" da ONU na gestão do caso, que custou o cargo ao presidente da Minusca, o senegalês Babacar Gaye.

A justiça francesa ouviu no início de dezembro quatro militares franceses suspeitos de terem abusado de menores de idade entre 2013 e 2014. Ao todo, 14 soldados franceses foram processados, assim como militares da Guiné Equatorial e do Chade.

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