Governo argentino demite "militantes" e põe fim a contratos temporários

Buenos Aires, 7 Jan 2016 (AFP) - Com o novo ano, o governo argentino anunciou que vai demitir mais de 2.000 funcionários do Senado e não irá renovar o contrato de outros 600 de um centro cultural emblema da era Kirchner, medida que envolve, principalmente, contratos temporários com menos de um ano.

Enquanto o governo revê a continuidade de cerca de 24.000 postos de trabalho, sob suspeita de serem fictícios, alguns sindicalistas afirmam que a medida abrange diferentes casos e pedem mobilizações.

"O Estado não é um cabide de empregos, não tem que pagar uma quantidade enorme de militantes de algum partido político", afirmou nesta quarta-feira a vice-presidente Gabriela Michetti, ao defender o corte de 2.035 funcionários do Senado anunciado na segunda.

A vice-presidente disse que vários ministérios demitiram "militantes" que foram nomeados em seus cargos "especialmente em 2015", disse ao Canal Treze.

Segundo Michetti, muitas nomeações foram feitas por meio da La Cámpora, a organização juvenil fundada pelo filho do casal Néstor e Cristina Kirchner, que governou o país entre 2003 e 2015.

A vice-presidente afirmou que a maioria dos funcionários demitidos do Senado foram nomeados como permanentes 10 meses atrás por seu antecessor kirchnerista, Amado Boudou.

Após garantir que esse número de empregados nem sequer caberia no Senado caso todos fossem trabalhar, Michetti sugeriu que essas decisões tomadas no último ano da gestão de Cristina Kirchner (2007-2015) fez com que "a massa salarial do Senado crescesse 80% e quantidade de funcionários aumentasse 146%".

O governo liberal do presidente Mauricio Macri, que inaugurou um ciclo de direita no país em 10 de dezembro, prometeu reduzir o aparato estatal num momento em que o déficit orçamental ultrapassou 7% do PIB.

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