Irã acusa Arábia Saudita de prejudicar tentativas de reduzir tensões

Teerã, 6 Jan 2016 (AFP) - O Irã exigiu nesta quarta-feira que a Arábia Saudita deixe de se opor aos esforços do país para alcançar a paz, em um momento no qual a comunidade internacional tenta reduzir a tensão no Oriente Médio entre países sunitas e xiitas.

"Há dois anos e meio, a Arábia Saudita se opõe aos esforços da diplomacia iraniana e deve abandonar esta tendência de criar tensões", declarou o ministro iraniano das relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif.

O chanceler citou em particular o acordo nuclear concluído em julho de 2015 entre o Irã e as grandes potências, que teve a oposição de Riad, em linha com o "regime sionista" de Israel.

"O Irã sempre buscou a paz e a compreensão com seus vizinhos, sem tentar criar tensões", afirmou Zarif em uma entrevista coletiva ao lado do chanceler iraquiano, Ibrahim al-Jaafari, que visita Teerã.

Este último afirmou que o Iraque, "que mantém boas relações com o Irã e com os países árabes", trabalha para reduzir a tensão entre Riad e Teerã, para "não embarcar a região em uma guerra que não teria vencedores".

"Devemos buscar a unidade", insistiu Jaafari.

Em função da situação, a representação iraniana deixou a Arábia Saudita. Os funcionários iranianos do consulado de Jeddah voltaram para casa em um avião particular do Irã, segundo a agência oficial SPA.

A execução no sábado na Arábia Saudita de um clérigo xiita provocou a indignação desta comunidade religiosa, majoritária no Irã, o que elevou a tensão entre países sunitas e xiitas em toda a região.

Poucas horas depois da morte, centenas de manifestantes enfurecidos destruíram parte da embaixada da Arábia Saudita em Teerã e do consulado saudita em Mashhad (nordeste do Irã).

"Estes atos não são aceitáveis de nenhuma maneira", afirmou Zarif, recordando que esta é a postura de "todas as autoridades iranianas".

Após os ataques contra suas representações diplomáticas, Riad decidiu romper relações com Teerã, medida que foi seguida por Sudão e Bahrein. Os Emirados Árabes Unidos reduziram as relações diplomáticas com o Irã, enquanto o Kuwait convocou seu embaixador na capital iraniana.

Nesta quarta-feira, o Catar também convocou seu embaixador em Teerã. "O ministério das Relações Exteriores catariano convocou seu embaixador em Teerã, após os ataques contra a embaixada do Reino da Arábia Saudita nesta cidade e seu consulado em Mashad", declarou o diretor do ministério, Khalid bin Ibrahim Al Hamar, citado pela agência de notícias oficial catariana.

"Muito trabalho a fazer"Poucas horas depois do ataque contra a embaixada e o consulado, o presidente iraniano, Hassan Rohani, criticou esta violência "totalmente injustificada", no entanto acusou a Arábia Saudita na terça-feira de concentrar as atenções no incidente diplomático para "encobrir seu crime" na execução de Nimr.

Rohani escreveu nesta quarta-feira à máxima autoridade judicial iraniana pedindo um julgamento rápido e conclusivo contra 50 pessoas acusadas de ter participado do ataque contra a embaixada.

A comunidade internacional teme que a escalada provoque um agravamento dos conflitos no Oriente Médio. Washington, Moscou e os países europeus pediram calma às duas potências regionais (Irã, xiita, e Arábia Saudita, sunita).

John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado americano, ressaltou a necessidade de diálogo e envolvimento, pois no Oriente Médio "resta muito trabalho por fazer".

"É necessário trabalhar juntos e unidos nos outros problemas que afetam o conjunto da região", disse.

A cooperação entre Riad e Teerã é crucial para resolver dois conflitos: Síria, onde Irã e Rússia apoiam Bashar al-Assad, enquanto a Arábia Saudita respalda a oposição, e Iêmen, onde o reino saudita lidera uma coalizão árabe de apoio ao governo iemenita contra os rebeldes xiitas huthis respaldados pela República Islâmica.

No plano econômico, a crise diplomática entre os dois países, ambos grandes exportadores de petróleo, está afetando os preços do combustível. O barril de Brent era negociado nesta quarta-feira abaixo dos 35 dólares pela primeira vez desde meados de 2004.

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