Homem com falso cinturão explosivo é morto em delegacia de Paris

Paris, 8 Jan 2016 (AFP) - A Polícia matou nesta quinta-feira um homem com uma arma branca que tentou atacar uma delegacia de Paris aos gritos de "Allah Akbar" (Deus é grande), no dia do aniversário de um ano do atentado contra a revista Charlie Hebdo.

O agressor foi identificado como Sallah Ali, nascido no Marrocos, em 1995.

Sallah Ali levava "um papel com a bandeira" do grupo Estado Islâmico e uma "reivindicação manuscrita inequívoca" em árabe, indicou o procurador de Paris François Molins, informando que, diante desses elementos, o setor antiterrorista do Ministério Público foi encarregado da investigação.

Armado com uma faca, Ali também carregava um cinturão de explosivos, que posteriormente se mostrou falso.

"Um homem tentou na manhã desta quinta-feira agredir um policial na recepção da delegacia, antes de ser atingido por tiros de resposta dos policiais", indicou o porta-voz do Ministério francês do Interior, Pierre-Henry Brandet.

De casaco escuro e calça jeans, o corpo de Ali ficou estendido na calçada, em frente à delegacia. Sob o casaco, ele carregava um pequeno saco pendurado com fita adesiva, do qual saía um fio. Um robô da polícia permitiu comprovar que o dispositivo não continha explosivos, relataram fontes judiciais.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, dirigiu-se à delegacia.

Os incidentes ocorreram no bairro popular de Goutte d'Or, setor multiétnico do norte de Paris, no distrito 18 da capital. Este setor, assim como o bairro de negócios La Défense, foi mencionado como potencial alvo dos extremistas que cometeram os atentados de 13 de novembro contra o Stade de France, restaurantes do leste da capital e a sala de espetáculos Bataclan.

Estes atentados, os piores já sofridos pela França, deixaram 130 mortos e centenas de feridos.

Gravidade da ameaçaA professora universitária Reka Polonyi, de 30 anos, contou à AFP que viu dois policiais "gritar para um homem que avançava rapidamente na direção deles".

"Como ele continuava se aproximando, os policiais abateram-no quando estava talvez a dois, ou três, metros", disse a testemunha.

Depois dos tiros, Shany Hasraf, que trabalha em uma loja próxima, afirmou que houve confusão.

"As pessoas começaram a correr para todos os lados", contou.

O ataque aconteceu poucos minutos depois de um discurso do presidente François Hollande, que pediu aos serviços de Segurança franceses maior cooperação diante do risco de atentados.

Hollande evocou a necessidade de reforçar ainda mais as medidas de segurança diante da ameaça de atentados terroristas.

"A gravidade da ameaça exige aumentar ainda mais" a segurança, declarou, em um discurso de Ano Novo pronunciado para membros da Polícia, da Gendarmeria e do Exército.

Os atentados de novembro de 2015 levaram François Hollande a decretar estado de emergência, em meio a críticas à atuação dos serviços de Segurança. Uma dessas críticas envolve a proteção da redação da Charlie Hebdo, alvo de ameaças antes do massacre de 7 de janeiro de 2015.

Hollande confirmou nesta quinta-feira que um novo projeto de lei para reforçar a segurança está sendo preparado.

Entre as medidas incluídas neste texto, o presidente francês citou a flexibilização das normas que envolvem os controles de identidade, os registros de pessoas e veículos e as inspeções, assim como a prisão domiciliar para os jovens radicalizados que retornarem de Síria e do Iraque.

"Todas estas medidas estarão sob o controle do juiz, já que isso é uma garantia da regularidade e da legitimidade destes atos, que são forçosamente limitados no tempo e na luta contra o terrorismo", disse.

Trata-se de reforçar "de maneira perene as ferramentas e os meios colocados à disposição das autoridades" fora do contexto temporário do estado de emergência.

"O estado de emergência em uma democracia não está destinado a durar", afirmou Hollande hoje.

Por ocasião da data, o governo americano reiterou sua promessa de se manter firmemente como aliado da França.

"Nenhum país sabe melhor do que a França que a liberdade tem um preço e que nenhuma lógica pode justificar os ataques a homens, mulheres e crianças inocentes", disse o secretário de Estado americano, John Kerry, em um comunicado.

"O que se pretendia era semear o medo e a divisão, mas, na realidade, nos uniram", completou, acrescentando que "Estados Unidos e França estarão sempre juntos".

Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Cherif e Said Kouachi mataram 12 pessoas na sede da Charlie Hebdo. Nos dias seguintes, Amédy Coulibaly, ligado a eles, matou uma policial e fez uma tomada de reféns em um supermercado kosher, onde matou quatro pessoas. Três policiais estão entre as 17 vítimas destes atentados.

Nesta semana, o presidente inaugurou três placas comemorativas em memória das vítimas. Uma quarta será inaugurada no sábado. As celebrações terminarão no domingo com uma manifestação organizada na Praça da República.

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