Navios de guerra russos passam pelo Bósforo, apesar de tensão Rússia-Turquia

Istambul, 8 Jan 2016 (AFP) - Apesar da viva tensão entre Turquia e Rússia, desde que Ancara derrubou um avião militar de Moscou em novembro passado, vários navios militares russos cruzam o Bósforo, que separa as margens europeia e asiática de Istambul, rumo à Síria.

Desde o início da intervenção militar russa, que deu suporte para o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, essa circulação marítima entre os mares Negro e Mediterrâneo passou a ser chamada de "Síria express".

Navios cargueiros, fragatas e submarinos russos circulam intensamente pelo Bósforo. Especialistas militares afirmam que são dezenas de navios por mês.

A crise diplomática entre ambos os países não limitou esse fluxo e, mesmo que o governo turco quisesse fazer isso, não poderia proibir a passagem de navios de guerra russos.

A Convenção de Montreux de 1936 sobre o Bósforo e os Dardanelos concede o controle de ambos os estreitos à Turquia, mas determina que deve garantir a liberdade total de circulação, salvo em caso de declaração, ou de ameaça iminente de guerra, lembram analistas consultados pela AFP.

"Como não há guerra declarada entre ambos os países, a Turquia não pode proibir os navios militares russos de passar pelo estreito", ressalta o especialista naval Devrim Yaylali, editor do portal de informação Bosphorus Naval News.

Moscou e Ancara sempre respeitaram a Convenção de Montreux, mesmo "nos piores momentos da Guerra Fria", completou.

Aproveitando essa proteção jurídica, a Rússia usa a rota dos estreitos como principal caminho para abastecer suas tropas estacionadas na zona de Latakia, no extremo noroeste da Síria.

"Sem esse 'Siria express', sua campanha síria se asfixiaria em alguns dias, ou em algumas semanas", prognostica Mikhail Voitenko, especialista marítimo e editor-chefe do Boletim Marítimo on-line russo.

A derrubada de um caça-bombardeiro Sukhoi-24 por parte de F-16 turcos perto da fronteira síria provocou uma grave crise diplomática entre Moscou e Ancara. A Turquia afirma que o avião violou seu espaço aéreo, mas a Rússia negou e decretou sanções simbólicas contra Ancara.

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