Refugiados temem que inocentes paguem por agressões em Colonia

Colônia, Alemanha, 8 Jan 2016 (AFP) - "Nossa primeira reação foi: agora os alemães vão nos odiar", reconhece Asim Vllaznim, recordando o momento em que sua família soube, pela televisão, sobre as agressões da noite de Ano Novo em Colônia.

"O que fizeram na estação central é uma vergonha", revolta-se este homem de 32 anos, que fugiu do Kosovo, oferecendo um chá no quarto de um centro de demandantes de asilo desta cidade do oeste da Alemanha.

A noite de 31 de dezembro se tornou um pesadelo em Colônia, quando um grupo de homens agrediu mulheres nos arredores da catedral e da estação de trem. Alguns depoimentos identificam os suspeitos como árabes e norte-africanos.

A polícia recebeu mais de 120 denúncias por agressão sexual, roubo ou ambos. Duas mulheres também declararam ter sido estupradas. Houve situações similares, em menor escala, em Hamburgo (norte) e Stuttgart (sul).

Segundo o Ministério do Interior, a polícia está investigando 31 suspeitos, dos quais 18 são demandantes de asilo, por atos de violência e roubos cometidos naquela noite. Contudo, não menciona suspeitos de sejam por agressões sexuais, nem informa sobre as penas.

As autoridades locais pedem que a população evite fazer alarde, mas alguns já estabeleceram um vínculo direto entre os refugiados e o ocorrido no país, que acolheu 1,1 milhão de demandantes de asilo em 2015.

Pressão"Não são boas notícias para Merkel", afirma Vllaznim, enquanto dois de seus cinco filhos pulam em cima da cama.

Ele acredita na chanceler e em seu "nós conseguiremos", repetido incansavelmente aos alemães quando começaram a se preocupar com o fluxo de refugiados. Mas sabe que a "mamãe Merkel" está sob pressão.

"Agradeço aos alemães por nos terem acolhido. Gostaria de dizer a eles que não tenham medo", prossegue este homem de Kosovo, que chegou a Colônia há um ano e meio.

Farto das discriminações contra os Ashkalis, minoria étnica a que pertence sua família, ele saiu dos Bálcãs para que seus filhos não crescessem ali.

"Não somos pessoas ruins, só buscamos uma vida melhor", diz. Vllaznim teme que o álcool tenha pervertido alguns refugiados. "Seria terrível", completa este homem, partidário de que todos os agressores sejam presos.

"Em todas as culturas, há pessoas que não se comportam corretamente", suspira uma bósnia de 36 anos que prefere não se identificar.

"Não se pode colocar todos os refugiados no mesmo saco", afirma em um corredor do edifício que hospeda 623 solicitantes de asilo, em vez dos 550 autorizados. Colônia acolhe atualmente 10.150 nestes centros de emergência.

DesconfiançaA desconfiança é mútua, reconhece esta mãe de duas meninas. Ela é muçulmana, mas há meses não veste o véu, nem sai do centro após as quatro da tarde devido a agressões e incêndios criminosos em abrigos de refugiados.

Depois do que aconteceu em Colônia, "entendemos que alguns alemães tenham medo", explica. Mas os culpados "talvez não sejam refugiados", espera a mulher.

Entretanto, na Internet, os rumores e as informações falsas continuam aumentando, e a incerteza reforça o descontentamento.

"Seria bom saber de quem se trata para deter os culpados e enviá-los a seus países, pouco importa qual seja", afirma Rute Graca, de 42 anos, a caminho de seu trabalho.

"As pessoas estão mais desconfiadas agora do que no mês passado", comenta Abdul Baldeh, enquanto espera o trem. Ele tem 28 anos e fugiu da Guiné.

"Não viemos para criar problemas. O que quero é aprender alemão, ter um trabalho e ser livre", afirma.

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