Reino Unido e França exigem que sejam suspensos sítios de cidades sírias

Nova York, 12 Jan 2016 (AFP) - Os embaixadores do Reino Unido e da França na ONU exigiram nesta segunda-feira o fim dos sítios às cidades sírias, no momento em que um comboio das Nações Unidas chega ao povoado de Madaya, controlado pelos rebeldes, para entregar alimentos aos residentes famintos.

O embaixador sírio afirmou que nenhum civil morreu de fome em Madaya, desmentindo organizações humanitárias.

O Conselho de Segurança iniciou consultas a portas fechadas sobre este tema em Nova York, ao mesmo tempo que chegava a Madaya, cidade próxima a Damasco sitiada há seis meses pelo exército do presidente Bashar Al-Assad, um comboio com ajuda humanitária.

O regime concordou, na semana passada, em autorizar a entrega de alimentos em Madaya, o que também será permitido em outros povoados sitiados e controlados por rebeldes.

"Deixar civis à beira da morte por fome é uma tática desumana usada pelo regime de Assad e seus aliados", declarou o embaixador britânico, Matthew Rycroft.

"Todos os sítios devem ser levantados para salvar vidas civis e aproximar a Síria da paz", completou em um comunicado.

O embaixador francês, François Delattre, informou que a rodada de consultas visa a "alertar o mundo sobre as inaceitáveis violações (aos direitos humanos) e a utilização da fome como arma de terror que afeta os mais vulneráveis".

"Espero que o Conselho possa enviar uma mensagem unida e firme neste sentido", completou.

A melhora da situação humanitária, considerou Delattre, somente pode facilitar uma solução política do conflito, a menos de três semanas do começo de negociações de paz entre os sírios sob a égide da ONU.

"As negociações inter-sírias não poderão ser retomadas sem uma melhora do destino dos civis", explicou o embaixador francês.

O representante da Nova Zelândia, Gerard van Bohemen, declarou que "a tática que consiste em sitiar e deixar com fome é uma das características mais terríveis do conflito sírio".

Cerca de 400.000 pessoas vivem em zonas sitiadas por tropas do regime ou por grupos armados rebeldes e não podem receber abastecimento, segundo a ONU.

"Não houve fome em Madaya", declarou à imprensa o embaixador sírio, Bashar Jaafari. "O governo sírio não realiza e nem realizará uma política consistente em deixar com fome seu próprio povo", completou.

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