Professor judeu agredido teve a impressão de que seria decapitado

Marselha, 12 Jan 2016 (AFP) - O professor judeu agredido em Marselha, sul da França, por um adolescente que dizia agir em nome de Alá teve a impressão de que o agressor pretendia decapitá-lo, segundo comentou seu advogado nesta terça-feira.

Segundo Fabrice Labi, seu cliente teve a impressão de que o agressor queria decapitá-lo, mas o machado era flexível e a lâmina não estava afiada. Além disso, o professor usava uma jaqueta de couro, que o protegeu de um ferimento maior.

O professor também contou à imprensa local que "achou que não sairia vivo da agressão e que viu ódio nos olhos do agressor".

O adolescente, de nacionalidade turca e de origem curda, que completará 16 anos na próxima semana, afirmou que agiu em nome de Alá e do Daesh (acrônimo em árabe para o EI).

Sua prisão para interrogatório, que para um menor não pode exceder as 48 horas na França, foi prolongada esta terça-feira.

A justiça de Marselha abriu uma investigação por "tentativa de homicídio por motivos religiosos" e "apologia ao terrorismo".

O adolescente atacou o professor, que usava um quipá (tipo de chapéu usado por judeus), ferindo-o levemente nas costas e na mão.

A vítima é um professor de 35 anos que leciona no Instituto Franco-hebraico, informou Zvi Ammar, presidente do Consistório israelita de Marselha.

O autor do ataque fugiu deixando a arma na cena do crime, mas foi parado dez minutos mais tarde pela polícia.

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, e o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, expressaram indignação com o ato, que chamaram no Twitter de uma "agressão antissemita".

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