Argentina descarta proposta a 'holdouts', mas promete negociar

Buenos Aires, 13 Jan 2016 (AFP) - O ministro argentino da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, afirmou nesta quarta-feira que a dívida do país por não resolver os fundos especulativos superou os US$ 9 bilhões, mas ratificou a vontade de solucionar o quanto antes a questão em Nova York.

Ele considerou que os juros "serão uma questão central da discussão", na qual a Argentina considera que "há uma negociação de bom senso para fazer".

"Da sentença, 30 centavos são do capital original e 70 centavos são juros, mas, dependendo do bônus que pegarmos, chegamos em nível extremo de 5 centavos e juros de 95. Isso não é necessariamente justo. Isso é o que queremos discutir rápido e resolver o problema", frisou.

Ele esclareceu que "esta negociação não vai durar nem 15 anos nem 48 horas", referindo-se às conversas que começaram hoje em Nova York.

"É uma primeira reunião introdutória. Não esperem uma proposta concreta. Esperemos que os 'holdouts' tenham a responsabilidade de negociar de maneira justa e acertar", insistiu.

A Argentina "vai negociar com firmeza" e espera que os chamados "fundos abutres" negociem de "forma razoável", completou.

Em 2012, os credores conseguiram uma sentença do juiz federal de Nova York, Thomas Griesa, para cobrar o principal e o juros dos bônus da dívida em "default" desde 2001.

Segundo Prat-Gay, "de uma dívida inicial de US$ 2,943 bilhões, agora se deve US$ 9,882 bilhões. É o custo de lavar as mãos por mais de dez anos", alfinetou.

"Na origem, a dívida que não se reestruturou era de US$ 2,943 bilhões. Dez anos depois, por negligência, acumularam-se US$ 6 bilhões em juros apenas pela sentença de Nova York", acrescentou.

De acordo com ele, se forem somadas as ações europeias, "a fatura supera os US$ 12 bilhões".

No momento em que o enviado especial do governo argentino, o secretário de Finanças, Luis Caputo, retoma em Nova York as negociações com os fundos especulativos NML Capital e Aurelius, Prat-Gay ratificou a posição do novo governo de assumir um problema que classificou como "herança" e "lixo" do governo de Cristina Kirchner (2007-2015).

"Queremos entender qual é a postura daqueles que obtiveram a sentença da dívida, porque o não acerto foi extremamente caro para a Argentina", afirmou o ministro.

"O lixo não é nosso, mas não temos problema em limpá-lo, e o julgamento em Nova York é parte do lixo", acrescentou.

Macri disse estar confiante em que a Argentina terá um "acordo razoável".

"Espero que fiquem rapidamente para trás essas partes de dívidas que não soubemos quitar", frisou.

O governo Cristina Kirchner (2007-2015) rejeitou a sentença de Griesa, que congelou, em julho de 2014, um pagamento de US$ 539 milhões em Nova York a 93% dos credores que aderiram às trocas de 2005 e 2010 de dívida. Isso instalou o "default" parcial da Argentina.

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