EUA anunciam plano de ampliação de programas de refúgio para centro-americanos

Washington, 13 Jan 2016 (AFP) - O secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou nesta quarta-feira planos do governo para ampliar os programas de admissão de refugiados para beneficiar imigrantes centro-americanos e permitir que recuperem "a dignidade depois do drama que viveram".

Os planos beneficiariam "famílias e indivíduos de El Salvador, Guatemala e Honduras, e vão oferecer a eles uma alternativa segura e legal a uma viagem perigosa que muitos atualmente se sentem tentados a fazer", declarou Kerry durante um discurso na Universidade Nacional da Defesa, em Washington.

Mais tarde, o presidente Barack Obama, assinou uma ordem executiva destinando US$ 70 milhões ao Fundo de Emergência para Refúgio e Migração "para atender necessidades urgentes inesperadas" diante do "número sem precedentes de refugiados que precisam de instalação".

A ordem executiva assinada por Obama não menciona especificamente migrantes ou refugiados centro-americanos, mas determina que os recursos serão "utilizados pelo Departamento de Estado".

Estes anúncios são feitos depois que importantes personalidades políticas aliadas de Obama, inclusive 146 legisladores do Partido Democrata, criticaram duramente o governo pelas recentes operações migratórias com o objetivo de deportação imediata.

Colaboração com o AcnurO Departamento de Estado, por sua vez, publicou uma nota na qual antecipou que o governo "vai colaborar com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e ONGs para identificar pessoas com necessidade de refúgio ou proteção".

"Expandir as oportunidades de assentamento é uma parte fundamental da nossa resposta geral à situação no Triângulo Norte, e as necessidades dos refugiados ao redor do mundo", destacou a nota. O Triângulo Norte é a região formada por Guatemala, Honduras e El Salvador.

O novo plano se soma a um programa anunciado em novembro de 2014 pelo vice-presidente americano, Joe Biden, que permite a menores centro-americanos solicitar o status de refugiados em seus países, se tiverem pai ou mãe morando legalmente nos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira, Kerry disse que os esforços devem se concentrar em "formas em que os refugiados possam se integrar melhor" nas sociedades que os acolhem.

"É por isso que medidas para ajudar os refugiados a construir resistência através de educação e oportunidades para empregos legais são tão importantes", disse o chefe da diplomacia americana.

Diálogo com refugiadosKerry inclusive antecipou que tinha previsto visitar um centro de reassentamento na cidade de Silver Spring, em Maryland, embora nos subúrbios de Washington seja numerosa a presença de imigrantes de países centro-americanos.

"Também pretendo me encontrar com um grupo de refugiados recém-chegados (...) para ouvir suas experiências", disse o secretário de Estado, sem dar mais detalhes sobre a nacionalidade destes interlocutores.

O serviço americano de Imigração e Alfândega (a 'Migra') realizou no primeiro fim de semana do ano operações em vários estados para deter imigrantes que esgotaram as instâncias de pedido de refúgio nos Estados Unidos.

O secretário de Segurança Interior, Jeh Johnson, anunciou que 121 adultos e crianças foram detidos para ser deportados.

Segundo vários testemunhos, as operações afetaram inclusive famílias com crianças em ações noturnas e com pessoal fortemente armado.

A pré-candidata democrata favorita a suceder Obama na Presidência, Hillary Clinton, publicou nesta terça-feira uma nota oficial pedindo o fim imediato das operações migratórias.

Os outros dois pré-candidatos democratas à Casa Branca, Bernie Sanders e Martin O'Malley, também pediram a suspensão das operações.

Enquanto isso, 146 membros da Câmara de Representantes enviaram uma carta contundente a Obama, alegando que as ações devem ser interrompidas porque se trata de pessoas em busca de refúgio e não só migrantes econômicos.

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