Equipes médicas chegam em cidade síria sitiada após morte de adolescente

Beirute, 15 Jan 2016 (AFP) - Equipes médicas levaram ajuda nesta sexta-feira aos habitantes da cidade rebelde síria de Madaya, onde médicos testemunharam a morte por inanição de um adolescente, pouco antes de uma reunião do Conselho de Segurança para exigir o fim dos cercos às cidades do país.

Nesta cidade a oste de Damasco, onde a metade dos habitantes tem menos de 18 anos, pessoas desnutridas finalmente receberam esta semana, após meses de espera desesperada, uma ajuda humanitária fornecida pelas agências da ONU, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e do Crescente Vermelho Sírio (SARC).

Um comboio humanitário de 44 caminhões carregados de alimentos e remédios chegou na segunda-feira na cidade, localizada a cerca de 40 quilômetros da capital síria.

E nesta sexta, uma clínica móvel da OMS e do Crescente Vermelho "foi enviada para atender 'in situ' as pessoas que sofrem de desnutrição", declarou à AFP Rana Sidani, chefe regional da OMS.

Sidani afirmou que as equipes já examinaram 350 pessoas e que muitas delas sofrem de desnutrição grave.

Além disso, o chefe das operações da SARC, Tamam Mehrez, indicou que a organização prepara a abertura de um novo centro médico permanente em Baqine, vizinho de Madaya.

"A equipe do Unicef assistiu na quinta à tarde em uma clínica de campanha em Madaya à morte de Ali, um jovem de 16 anos, que sofria de desnutrição grave. Foi triste e chocante", afirmou à AFP a porta-voz regional da organização, Juliette Touma.

Nesta clínica, dois médicos e duas enfermeiras cuidam de pacientes em condições complexas. Das 25 crianças menores de cinco anos examinadas, 22 sofrem de desnutrição severa ou moderada.

"Agora estão sendo tratados graças ao material médicos e alimentos entregues na segunda-feira", explicou em um comunicado Hanaa Singer, representante do Unicef em Damasco.

"A equipe também examinou dez crianças e adolescentes com idade entre 6 e 18 anos. Seis sofrem de desnutrição grave, incluindo um jovem de 17 que corre risco de morte, e que precisam ser evacuados imediatamente", ressaltou Singer.

A agência da ONU indicou que os médicos estão "angustiados e mentalmente exaustos, trabalhando contra o relógio com recursos muito limitados". "É simplesmente inaceitável que isso aconteça no século XXI", disse, acrescentando que existem outros 14 locais sob cerco na Síria.

Crime de guerraO secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou na quinta-feira que o uso da fome como uma arma de guerra é um crime, depois que um segundo carregamento de ajuda humanitária conseguiu entrar na cidade síria rebelde de Madaya.

"Deixe-me ser claro: o uso da fome como uma arma de guerra é um crime de guerra", declarou Ban a jornalistas.

"Todas as partes, incluindo o governo sírio que tem a responsabilidade primária de proteger os sírios, estão cometendo esta e outras atrocidades proibidas pelo direito internacional humanitário", ressaltou.

França, Grã-Bretanha e Estados Unidos solicitaram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para exigir o levantamento dos cercos às cidades sírias, incluindo Madaya.

O Conselho vai se reunir ainda nesta sexta, a fim de "alertar o mundo sobre o drama humanitário que vive Madaya e outras cidades da Síria" sob cerco, declarou François Delattre.

Em meados de dezembro, o Conselho de Segurança adotou uma resolução que estabelece um roteiro que prevê negociações, um cessar-fogo, um governo de transição no prazo de seis meses e eleições dentro de 18 meses.

Mais de 260.000 pessoas morreram desde o início do conflito na Síria, que começou com uma revolta contra o governo de Bashar al-Assad, e que degenerou em uma guerra civil complexa.

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