Clinton e Sanders partem para o ataque em debate democrata

Charleston, Estados Unidos, 18 Jan 2016 (AFP) - A ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o senador Bernie Sanders protagonizaram no domingo à noite uma longa discussão no quarto debate entre os pré-candidatos à presidência do Partido Democrata para as eleições de novembro nos Estados Unidos.

Clinton e Sanders, ao lado do ex-governador de Maryland Martin O'Malley, participaram em um debate fundamental para suas aspirações, pois dentro de duas semanas Iowa receberá a primária que marcará o início do processo de escolha partidário.

Diante da necessidade de marcar posições, Clinton e Sanders exibiram divergências em praticamente todos os temas, da política sobre a posse de armas até os impostos, mas que teve seu momento mais crítico no debate sobre o serviço de de saúde pública.

Hillary Clinton, que durante o debate tentou afirmar-se como a continuidade da presidência de Barack Obama, criticou a proposta de Sanders de renovar todo o sistema, alegando que isto significaria "destruir" o modelo vigente que é conhecido no país como Obamacare.

Apenas duas horas antes do início do debate, o comitê de campanha de Sanders divulgou um novo e completo programa de reforma do sistema público de saúde. Desta maneira, os aspectos centrais da proposta não puderam ser discutidos de maneira detalhada.

O palco vira ringue"Desmontar tudo o que fizemos (com a aprovação do Obamacare) e começar de novo... Acredito que este é o caminho equivocado", disparou Clinton.

Na resposta, Sanders disse que "o atendimento médico deveria ser um direito de cada homem, mulher ou criança. Por quê nós gastamos três vezes mais que os britânicos, que têm um sistema universal, e nós temos 29 milhões de pessoas sem seguro médico?".

No centro da discussão está uma ideia que parece essencial aos democratas: a elaboração de um sistema de seguro médico público e universal, que enfrente os poderosos planos de saúde privados.

Durante a discussão, a ex-secretária de Estado acusou Sanders de ter se beneficiado do apoio do lobby dos fabricantes de armas, de não ter uma estratégia clara para enfrentar o grupo radical Estado Islâmico e até mesmo de ter criticado Obama em 2011.

Enquanto o debate acontecia, o comitê de campanha de Clinton enviava constantemente uma série e-mails sobre cada ponto tratado e praticamente todas as mensagens continham ataques diretos a Sanders.

A estratégia de Hillary Clinton foi a de tentar apresentar-se como a candidata capaz de unificar o país. Ela se esforçou em recordar que, como senadora, buscou acordos com líderes da oposição republicana.

O papel do dinheiroHillary, no entanto, enfrentou um Bernie Sanders em excelente forma: o senador utilizou dados concretos e até a ironia em seus ataques demolidores à rival durante o debate.

Sanders, que considera os maiores bancos do país os responsáveis por "corromper" a política, recordou que Clinton recebeu mais de meio milhão de dólares por conferências com os executivos de uma grande instituição bancárias.

"Eu nunca recebi dinheiro por fazer um discurso para o Goldman Sachs", alfinetou Sanders.

Os bancos, afirmou Sanders, têm muito poder econômico e devem ser atacados frontalmente.

O carismático senador declarou que seu programa contempla o aumento dos impostos para a classe média, mas garantiu que isto seria compensado com gastos consideravelmente menores com a saúde.

A intensidade da troca de acusações entre os principais aspirantes à presidência do campo democrata é explicada pelas tendências dentro do partido a apenas duas semanas do início das primárias.

Apesar de liderar a disputa a nível nacional, Clinton pode perder nas duas primeiras votações das primárias: 1 de fevereiro em Iowa, onde aparece empatada com Sanders nas pesquisas, e 8 de fevereiro em New Hampshire, onde Sanders tem uma boa vantagem nas pesquisas.

Diante deste cenário, a direção do Partido Democrata teme a repetição de 2008, quando Hillary Clinton parecia invencível na campanha até que, no início das primárias, perdeu em Iowa para o então relativamente desconhecido senador Barack Obama.

Durante o debate de domingo, O'Malley buscou desesperadamente sair de seu aparente 'teto' entre os eleitores, que desde o início da campanha permanece entre 3% e 4%.

Antes do evento, um porta-voz da campanha afirmou que O'Malley se recusava a atacar os outros pré-candidatos e utilizaria o debate para apresentar seus projetos.

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