ONGs denunciam a confissão de um livreiro desaparecido em Hong Kong

Hong Kong, 18 Jan 2016 (AFP) - Os defensores dos direitos humanos classificaram nesta segunda-feira de "cortina de fumaça" a suposta confissão de um dos livreiro desaparecidos de Hong Kong, que no domingo reapareceu na televisão oficial chinesa.

Gui Minhai, de nacionalidade sueca, é coproprietário da editora Mighty Current, conhecida por seus livros críticos em relação ao poder em Pequim.

Seu misterioso desaparecimento, junto com outros quatro funcionários da editora, preocupa Hong Kong, que goza de liberdades civis que não existem na China continental e tem que Pequim aumente seu controle político sobre o território.

Gui reapareceu no domingo em uma "confissão" no canal oficial chinês CCTV. Entre lágrimas, explicou ter voltado voluntariamente para a China continental para cumprir sua condenação por ter atropelado e matado há 11 anos um colega de universidade.

O homem explicou que, depois de ser condenado a dois anos de prisão fugiu da China, mas que agora decidiu voltar para assumir suas "responsabilidades legais".

"Do ponto de vista legal, este vídeo não tem valor algum", afirma Nicholas Bequelin, diretor para o leste da Ásia da Anistia Internacional. "Onde ele está? Em nome de que autoridade foi detido? Quais são as circunstâncias nas quais deu a entrevista? Não podemos descartar a possibilidade que confessou sob pressão", afirma Bequelin.

Apesar da preocupação pelos desaparecimentos, o chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, um território que foi colônia britânica até sua devolução à China, em 1997, não quis se pronunciar sobre o caso.

"O caso de Gui Minhai não foi denunciado à polícia de Hong Kong ou ao governo", afirmou Leung à imprensa.

Por sua parte, o vice-ministro das Finanças sueco, Per Bolund, declarou-se muito preocupado e pediu mais "transparência" às autoridades chinesas, segundo o jornal South China Morning Post.

Gui Minhai teria desaparecido quando estava em uma residência que tem na Tailândia. Dos cinco desaparecidos, apenas um, Lee Bo, estava em Hong Kong, algo destacado por Leung Chun-ying porque significa que os serviços de Pequim atuam no território, violando as leis locais.

Os outros três desapareceram enquanto estavam em cidades do sul da China.

Segundo Lee Cheuk-yan, um deputado pró-democracia de Hong Kong, a confissão de Gui é "uma tentativa de esconder que ele foi preso por causa de sua livraria".

Em 2005, o site da CCTV falou do caso de um homem chamado Gui Minhai, que teria fugido em 2004 depois de condenado por matar um colega de 23 anos na cidade de Ningbo.

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