Pequim confirma que livreiro de Hong Kong desaparecido está na China

De Hong Kong (China)

  • Philippe Lopez/AFP

    Cartazes mostram o livreiro Lee Bo (à esquerda) e seu parceiro de trabalho Gui Minhai, em manifestação perto de um prédio público em Hong Kong

    Cartazes mostram o livreiro Lee Bo (à esquerda) e seu parceiro de trabalho Gui Minhai, em manifestação perto de um prédio público em Hong Kong

Pequim confirmou que um dos livreiros cujo desaparecimento comove Hong Kong encontra-se na China continental, anunciou nesta terça-feira (19) o governo da antiga colônia britânica.

Lee Bo, de 65 anos, trabalha para a editora Mighty Current, conhecida por publicar obras críticas ao governo chinês.

Diferentemente dos outros quatro funcionários da Mighty Current que desapareceram --três deles no sul da China, outro na Tailândia--, Lee Bo sumiu em dezembro quando ainda estava em Hong Kong. Os serviços de segurança chineses não estão autorizados a intervir nesta região semiautônoma.

Um porta-voz do governo de Hong Kong indicou em um comunicado que a polícia havia recebido uma carta do departamento de segurança pública da província de Guangdong, fronteiriça com Hong Kong, segundo a qual Lee Bo encontra-se na China continental, mas a correspondência não fornece mais detalhes.

No domingo, outro funcionário da Mighty Current, Gui Minhai, desaparecido em outubro na Tailândia, fez uma surpreendente confissão gravada pela TV chinesa.

Entre lágrimas, explicou ter voltado voluntariamente à China continental para cumprir sua condenação por ter atropelado fatalmente, há 11 anos, quando estava embriagado, uma aluna universitária.

O homem explicou que, após ser condenado a dois anos de prisão condicional, fugiu da China, mas que agora decidiu voltar para assumir responsabilidades legais.

No entanto, defensores dos direitos humanos classificaram, nesta segunda-feira, de cortina de fumaça esta suposta confissão, para ocultar que os funcionários da Mighty Current estavam de fato detidos pelos textos que publicam.

Estes desaparecimentos preocupam Hong Kong, que goza de liberdades civis que não existem na China continental e onde se teme que Pequim aumente seu controle político sobre o território, que se reintegrou à China em 1997 com a condição de conservar seu modo de vida e suas liberdades.

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