Chanceler iranino: confronto com a Arábia Saudita não beneficia ninguém

Davos, Suíça, 20 Jan 2016 (AFP) - Um embate diplomático com a Arábia Saudita não beneficia ninguém, disse nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores iraniano, Jawad Zarif, que também classificou de "estranhas" as objeções americanas ao programa de mísseis balísticos de seu país.

"Acho que nossos vizinhos sauditas devem entender que o confronto não beneficia ninguém", declarou Zarif em uma intervenção durante o Fórum Econômico Mundial de Davos.

Perguntado se há possibilidade de uma guerra entre os dois países, o chanceler respondeu "não".

"Não há razão para entrar em pânico, queridos amigos", disse Zarif. "O Irã quer trabalhar com vocês, o Irã não quer excluir ninguém dessa região", ressaltou, em referência aos sauditas.

A Arábia Saudita elevou o tom das hostilidades com o Irã na terça-feira, ao acusar a Teerã de propagar há décadas "a agitação, a discórdia e o caos" no Oriente Médio.

O Irã exerce um papel decisivo na guerra civil síria, atualmente um terreno de intervenção para as potências regionais e ocidentais.

Na Síria não cabe uma solução militar, insistiu Zarif. O Irã defende um "cessar fogo, um governo de unidade nacional, reformas constitucionais e eleições".

"Estamos decididos a prestar assistência nesse processo", explicou.

As potências ocidentais e a Rússia tentam, embora com divergências, forçar um diálogo entre o regime de Damasco e a oposição. Os Estados Unidos e seus aliados insistem que o presidente Bashar al Assad deve deixar o poder.

No último sábado, entrou em vigor um histórico acordo sobre o programa nuclear iraniano mediante o qual o país volta ao cenário internacional e se beneficia da suspensão das sanções.

No entanto, ao explicar no domingo o motivo dessa suspensão, o presidente americano Barack Obama anunciou novas medidas contra Teerã por causa de seu programa de mísseis balísticos.

"Me parece estranho que os Estados Unidos expressem preocupação com o programa de mísseis iraniano, que é defensivo e não viola nenhuma regulação internacional", disse Zarif.

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