Ataque contra universidade no Paquistão deixa 21 mortos

Charsadda, Paquistão, 21 Jan 2016 (AFP) - Pelo menos 21 pessoas morreram nesta quarta-feira em um ataque contra uma universidade do noroeste do Paquistão reivindicado por uma facção dos talibãs, a mesma que cometeu um massacre contra uma escola da região no final de 2014.

"O balanço de mortos no ataque terrorista se elevou a 21", afirmou o chefe de Polícia regional, Saeed Wazir, pouco depois do fim da ação.

Quatro homens, armados com fuzis de assalto e granadas, aproveitaram a espessa névoa da manhã que envolvia a Universidade de Bacha Khan, em Charsadda, a 50 km de Peshawar, para executar o ataque.

Imagens dos canais de televisão mostraram dezenas de estudantes em fuga dos tiros e das explosões durante a ofensiva, cometida por homens que integram uma facção dos talibãs.

"Os terroristas aproveitaram a névoa, a visibilidade era muito ruim, de poucos metros", disse Wazir.

"De cara ouvimos tiros. Os terroristas foram diretamente à residência dos homens. Acredito que era seu alvo", disse à AFP Muhammad Daud, um estudante de Sociologia de 22 anos.

As forças de segurança isolaram rapidamente a área e mobilizaram tropas especiais com blindados e helicópteros, ao mesmo tempo em que as ambulâncias chegavam ao local.

A operação terminou ao meio-dia, informou Wazir, que não detalhou se entre os 21 mortos estavam os quatro atiradores que o Exército afirmou ter eliminado e que os talibãs mencionaram na reivindicação do ataque.

Vários estudantes foram mortos, baleados quando estavam em uma residência para homens do campus.

"Há mais de 30 feridos, incluindo estudantes, funcionários e guardas", disse Wazir.

Mehtab Ahmed Khan Abbasi, o governador da província Khyber Pajtunkhwa, onde fica a cidade de Charsadda, anunciou mais cedo um balanço de 19 mortos e 35 feridos.

"Os corpos dos quatro agressores foram encontrados", declarou o governador.

Facção talibã reivindica ataqueO ataque foi reivindicado por uma facção do Movimento dos Talibãs Paquistaneses (TTP, Tehreek-e-Taliban Pakistani), mas a principal força deste movimento condenou a ação.

"Nossos quatro suicidas executaram hoje o ataque contra a Universidade de Bacha Khan", afirmou por telefone à AFP um comandante dos insurgentes, Umar Mansoor, de um local não revelado.

Uma Mansoor, cérebro do massacre em uma escola no final de 2014 que deixou mais de 150 mortos, disse que o ataque foi uma represália a uma ofensiva do Exército nas zonas tribais próximas da fronteira com o Afeganistão.

Este líder rebelde dirige a Hakimullah Mehsud, uma facção do TTP que tem o nome de um comandante talibã morto por disparos de um drone americano em novembro de 2013.

Outro porta-voz do TTP, Muhammad Khurasani, anunciou que os autores do ataque "não islâmico" serão julgados e condenados em nome da sharia (lei islâmica).

"O TTP condena o ataque de hoje e se dissocia deste ataque não islâmico", escreveu Khurasani no Twitter.

Dia de lutoO atentado foi condenado pelo primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, e pelo premiê indiano, Narendra Modi, assim como pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e pelo embaixador americano no Paquistão, David Hale.

Em um comunicado, o Departamento de Estado americano destacou que, ao atacar estudantes, os "terroristas" tomaram mais uma vez como alvo "as gerações do futuro do Paquistão".

O governo paquistanês decretou luto nacional na quinta-feira.

Houve manifestações espontâneas em várias cidades do Paquistão, como Karachi (sul) e Quetta (sudoeste).

"Todo Paquistão reza pelas almas das crianças mortas e por seus pais imersos na dor", afirmou a senadora opositora Sherry Rehman em um comunicado.

"Este ataque é potencialmente um crime de guerra", advertiu a ONG Anistia Internacional.

Vários estudantes prestaram homenagem ao professor Syed Hamid Hussain, que morreu quando tentava proteger os alunos.

"Fomos para o lado de fora, mas fomos impedidos pelo nosso professor de Química, que nos aconselhou a voltar para dentro", contou Zahoor Ahmed, um estudante de Geologia.

"Ele tinha um revólver na mão, eu vi uma bala atingi-lo, havia dois homens disparando em todas direções", relatou.

O centro universitário não havia recebido nenhuma ameaça específica, "mas havíamos reforçado a segurança", disse à AFP o vice-reitor da universidade, Fazal Raheem Marwat.

Em 16 de dezembro de 2014, um comando de nove pessoas invadiu a Escola Pública do Exército (APS) e abriu fogo contra várias salas durante horas, em represália a uma ofensiva militar contra os talibãs. O ataque deixou mais de 150 mortos, em sua maioria crianças.

O ataque, que traumatizou um país abalado por uma década de violência, provocou uma campanha contra o extremismo no Paquistão. O Exército intensificou a ofensiva contra os grupos armados nas zonas tribais onde atuavam antes com total impunidade.

O número de atentados diminuiu consideravelmente em 2015, mas um ataque suicida deixou 10 mortos na terça-feira, em Peshawar.

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