Parlamento líbio rejeita governo de unidade apoiado pela ONU

Trípoli, 25 Jan 2016 (AFP) - O Parlamento líbio rejeitou, nesta segunda-feira, o governo de unidade nacional apoiado pelas Nações Unidas, um duro golpe para os esforços internacionais destinados a por um fim à violência no país.

Os deputados do Parlamento reconhecido pela comunidade internacional e instalado em Tobruk, no leste da Líbia, recusaram-se a dar sua confiança a este governo de união, composto por 32 ministros que, a princípio, representam todas as regiões do país.

"Votamos contra o apoio ao governo e pedimos que nos apresentem outro governo", declarou o deputado Ali al-Gaydi.

"Dos 104 deputados presentes, 89 disseram 'não'" ao gabinete proposto pelo conselho presidencial, dirigido pelo empresário de Trípoli Fayez al-Sarraj, indicou al-Gaydi.

Para obter a confiança da câmara, o governo de al-Sarraj deveria ter obtido 119 votos a favor, isto é, dois terços mais um.

O governo foi rejeitado "devido ao número de ministros", considerado excessivo, declarou à AFP o deputado El Salhin Abdelnab, pedindo que seja proposto um gabinete mais restrito.

O voto positivo no Parlamento de Tobruk era necessário para que tal governo, liderado pelo empresário Fayez al-Sarraj, assumisse.

O executivo constituía uma etapa importante do acordo político concluído em dezembro passado, no Marrocos, sob o patrocínio da ONU, entre as duas partes rivais que disputam o poder.

A comunidade internacional também contava com a nova formação para lutar de modo mais eficaz contra o grupo extremista Estado Islâmico, ativo no norte da Líbia.

Atualmente, existem três autoridades no país: o governo reconhecido pela comunidade internacional, com sede em Al Bayda, e que controla parte do leste; o governo de Trípoli e as regiões do oeste, apoiado pela coalizão de milícias armadas, algumas delas islamitas, e o governo de união nacional defendido pela ONU. No momento, este último é somente "virtual" e carece de recursos econômicos.

Da mesma forma, existem dois parlamentos, um em Trípoli e outro em Tobruk, reconhecidos internacionalmente.

Vácuo de poderNas últimas semanas, foram constatadas profundas divergências entre os dois governos quanto ao acordo político concluído em dezembro no Marrocos.

O presidente do Parlamento de Tobruk, Aguila Saleh, fez uma crítica pública, assim como o general Jalifa Haftar, comandante das forças leais ao poder reconhecido.

Haftar, muito influente no leste da Líbia, teme perder seu posto, caso o governo de união nacional assuma.

O acordo também não agrada o Parlamento de Trípoli, cujo presidente, Nuri Abu Sahmein, mostrou-se contra.

Até o momento, as tentativas de apaziguar as rivalidades entre facções líbias e estabilizar este país rico em petróleo e membro da Opep têm fracassado.

O grupo Estado Islâmico aproveitou o vácuo de poder para tomar o controle da cidade de Sirte, a 450 km leste de Trípoli.

Desde então, o grupo extremista tem lançando uma ofensiva para o leste e suas zonas ricas em petróleo, onde estão os principais terminais petroleiros. Segundo a França, a organização conta com aproximadamente três mil combatentes na Líbia.

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