Oposição síria impõe condições para participar de diálogo em Genebra

Riad, Arábia Saudita, 29 Jan 2016 (AFP) - Reunida na Arábia Saudita, a oposição síria não irá a Genebra para o início das negociações indiretas com o regime de Bashar al-Assad, organizadas pela ONU em Genebra, até que se cumpram seus pedidos para que se garanta a ajuda humanitária.

"Amanhã não estaremos em Genebra. Poderemos ir mais adiante, mas não entraremos na sala de negociação, se nossas demandas humanitárias não forem atendidas", declarou o coordenador do Alto Comitê das Negociações (ACN), Riad Hijab, à emissora de TV Al-Arabiya.

Hijab disse que os rebeldes estão dispostos a assistir aos diálogos se deixar de bombardear zonas civis e se garantir um acesso às populações bloqueadas, tal como previsto na resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU.

O ACN foi criado em dezembro para reunir os principais grupos rebeldes, tanto as organizações armadas quanto os partidos políticos, com o objetivo de estabelecer diálogos indiretos com o governo.

Os diálogos mediados pela ONU deviam começar na segunda-feira, mas têm sido adiados à espera de que a ONU responda a uma série de interrogações dos opositores, em especial sobre a ajuda humanitária às zonas devastadas pelo conflito.

O porta-voz do ACN, Salem al Meslet, disse que o enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, já confirmou que "os artigos 12 e 13 (da resolução 2254 do Conselho de Segurança) não são negociáveis".

Mas os opositores ainda esperam uma resposta do secretário-geral, Ban Ki-moon, a quem pediram que a comunidade internacional se comprometa com aplicar a resolução 2254, acrescentou Al-Meslet.

À tarde, De Mistura fez um apelo emocionado pelo início das negociações e afirmou que cinco anos de guerra é "muito".

Desacordo sobre os curdosO ACN, que quer se apresentar como o único representante da oposição nas negociações, reivindica ainda "precisões" sobre "a natureza dos convites" feitos pelas Nações Unidas aos demais opositores.

O chefe de sua delegação também gera debate. Mohamed Alush, líder do grupo armado pró-saudita Jaish al-Islam, foi nomeado negociador-chefe do ACN, uma eleição denunciada por outros opositores e pela Rússia, aliada do regime sírio.

Entre as figuras convidadas da oposição, mas que não fazem parte do ACN, está Qadri Jamil, ex-vice-primeiro-ministro sírio que foi demitido em 2013 e mantém boas relações com a Rússia, e Haytham Manna, copresidente do Conselho Democrático Sírio (CDS), uma aliança de opositores curdos e árabes.

A participação dos curdos - na linha de frente na luta contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) em várias regiões de Síria e Iraque - é um dos pontos de discórdia entre as potências estrangeiras presentes no conflito.

A Turquia se opõe taxativamente à participação do Partido da União Democrática (PYD), o braço político da milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG). Já a Rússia considera que, sem os curdos, as negociações "não darão resultado".

Para tentar iniciar as discussões, os Estados Unidos exigiram dos grupos da oposição síria que participem "sem condições prévias". Segundo os americanos, esta é uma "oportunidade histórica" para "pôr em prática um cessar-fogo, o acesso humanitário e outras medidas que restaurem a confiança".

As negociações se baseiam no "mapa da paz" adotado em dezembro no Conselho de Segurança da ONU. Este documento prevê um cessar-fogo, um governo de transição por um período de seis meses e eleições em 18 meses. A oposição pede a saída de Al-Assad, quando começar o período de transição.

Em Moscou, porém, a Rússia anunciou nesta quinta-feira que convocaria, com o acordo dos Estados Unidos, uma reunião internacional sobre a Síria para 11 de fevereiro em Munique. Deste encontro, poderão participar autoridades ocidentais, árabes e iranianas.

"Existe um acordo de princípios entre o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, e o secretário de Estado americano, John Kerry. Agora, vamos propor a todos os outros membros do Grupo Internacional de apoio para a Síria este local e data: Munique, 11 de fevereiro", disse o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Mikhail Bogdanov, citado pela agência oficial de notícias russa Tass.

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