Cameron insatisfeito com propostas da UE para manter Reino Unido no bloco

Bruxelas, 29 Jan 2016 (AFP) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta sexta-feira, ao término de um dia de negociações em Bruxelas, que foram feitos progressos nas reivindicações de Londres à União Europeia, mas que ainda são insuficientes.

"Fizemos progressos hoje, mas não são suficientes, será preciso trabalhar duro", declarou Cameron.

Cameron exige quatro reformas à UE para apoiar a permanência do país no bloco em um referendo que deve ser realizado no final de 2017.

Uma saída da UE do Reino Unido, o chamado "Brexit", mergulharia o bloco em uma grave crise, pois perderia um de seus integrantes de maior peso.

"Se o acordo for bom o suficiente, vou levá-lo em consideração", insistiu o primeiro-ministro depois de se reunir com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

As negociações com Juncker concentraram-se na mais delicada das solicitações do primeiro-ministro britânico: Cameron quer limitar a quatro anos o auxílio social aos europeus residentes em seu país, em sua maioria procedentes dos países do leste do continente.

O objetivo de Londres é frear a imigração, mas o pedido de Cameron é percebido como discriminatório por vários de seus parceiros.

As pesquisas no Reino Unido apontam uma pequena vantagem para os partidários do "Brexit" (contração de "British Exit", "saída britânica" da UE). Cameron anunciou no início de janeiro que os membros de seu governo teriam liberdade para fazer campanha a favor ou contra.

Propostas insuficientesCameron já havia dito mais cedo nesta sexta-feira que as propostas que chegam de Bruxelas para que o Reino Unido se mantenha no bloco "não são fortes o suficiente".

"Estou animado porque as ideias levantadas têm um pouco de força", mas "não são suficientemente fortes", disse Cameron a partir de Bruxelas em uma entrevista à rádio BBC.

"Sempre disse que estamos abertos a ideias alternativas desde que tenham a mesma força", acrescentou.

"É encorajador que instituições como a Comissão Europeia venham com novas ideias, mas ainda falta muito até ver algo com que possamos estar de acordo", afirmou o primeiro-ministro, que se reunia com o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

Após almoçar com Juncker, o primeiro-ministro britânico se reunirá com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

No domingo, será a vez do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que irá a Londres para se reunir com Cameron.

"Estou preparado para ser paciente. Temos até o fim de 2017 para fazer o referendo".

As demandas britânicas serão discutidas entre todos os países do bloco na cúpula de 18 e 19 de fevereiro em Bruxelas.

Em Bruxelas reina um otimismo cauteloso sobre o resultado das negociações, todas muito técnicas. Mas a confiança demonstrada pelos líderes europeus corre o risco de pesar muito pouco na campanha do referendo britânico.

O executivo da UE trabalha para encontrar soluções para as demandas de reforma da União solicitadas por Cameron. Uma "força-tarefa" presidida por uma autoridade do governo britânico foi criada para conduzir as negociações.

Essas negociações também incidem sobre um mecanismo de "freio de emergência" no caso de os serviços públicos britânicos se vejam sobrecarregados pela atenção aos migrantes, ou que a segurança social britânica seja objeto de reiterados abusos.

Cameron também busca garantias de que o anunciado reforço da zona do euro não se fará em detrimento dos países que não são membros deste clube e, em particular, em detrimento da poderosa City de Londres.

O primeiro-ministro também deseja o fortalecimento do trabalho em favor da competitividade da economia europeia, e quer recuperar a soberania através da concessão de mais poderes aos parlamentos nacionais.

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