Venezuela: presidente da Assembleia acha irresponsável Maduro terminar mandato

Caracas, 29 Jan 2016 (AFP) - O presidente da Assembleia venezuelana, Henry Ramos Allup, afirmou nesta sexta-feira que seria irresponsável permitir que o presidente socialista, Nicolás Maduro, termine seu mandato, ao reiterar que a oposição definirá no primeiro semestre de 2016 um mecanismo para antecipar sua saída do poder.

"Alguém me dizia: 'vamos deixar que o governo chegue até o final para que se frite em seu próprio óleo'. É uma irresponsabilidade", disse Ramos Allup, em coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros.

O deputado acrescentou que, se Maduro governar até 2019, deixará um "cemitério" para o sucessor, razão pela qual a oposição - que controla o Legislativo por ampla maioria - acordará no mais tardar em junho uma figura legal para mudar o governo.

"A verdade é que eu não quero que isso dure mais três anos, assim, de pior a péssimo, porque... O que vai acontecer, afinal? Se você pode remediar uma doença antes que cause a morte, remedia. Parece óbvio", insistiu.

Ramos Allup, do partido social-democrata Ação Democrática, assegurou que, diante da gravidade da crise econômica, não vê Maduro concluindo o seu mandato.

"Eu o vejo muito mal. Não sei se no fim do ano, porque tampouco (é possível) dar um dia preciso. Mas eu, ao final do período constitucional, neste ritmo, não o vejo chegar", manifestou.

Para antecipar a saída de Maduro, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) propôs um referendo revogatório, ou uma emenda constitucional (para encurtar o mandato do governante), sem descartar sua renúncia.

Na quinta-feira, o ex-candidato presidencial Henrique Capriles disse ter chegado a hora de convocar a revogação, ou propor a emenda que permita acelerar a saída do herdeiro político do presidente Hugo Chávez (1999-2013).

"Ou aqui há solução, ou, nós, venezuelanos, temos de propor qual será o caminho para a mudança. O tempo constitucional para um referendo, ou para a emenda constitucional, chegou", declarou Capriles, governador do estado de Miranda (norte).

As leis venezuelanas preveem a possibilidade de convocar um referendo revogatório, quando o chefe de Estado tiver cumprido metade do mandato. No caso de Maduro, isso ocorrerá em 19 de abril.

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