Alemanha toma medidas para evitar novo fluxo de imigrantes

Berlim, 30 Jan 2016 (AFP) - A chanceler alemã, Angela Merkel, adotou várias medidas, como limitar o reagrupamento familiar para certos refugiados, com o objetivo de frear o esperado fluxo de imigrantes na primavera do hemisfério norte e enfrentar com segurança as próximas eleições.

A decisão de limitar o reagrupamento familiar e de endurecer o direito de asilo para marroquinos, argelinos e tunisianos, que poderão ser expulsos mais facilmente, coloca fim a dois meses de difíceis negociações políticas entre os sócios da coalizão governamental.

Nela, estão os conservadores CDU de Merkel, seu braço bávaro CSU - que exige em vão a fixação de um limite para o acolhimento de refugiados - e os sociais-democratas.

O objetivo destas medidas é preparar o terreno para uma redução tangível do fluxo migratório, após a chegada à Alemanha de mais de um milhão de imigrantes em 2015. Esta baixa foi prometida pela chanceler, que exclui, por sua vez, o fechamento das fronteiras.

Aproveitar o invernoMerkel também aposta na bateria de medidas europeias, como a divisão de refugiados por toda a União Europeia - o que vários países rejeitam - e a milionária ajuda prometida a Turquia, Jordânia e Líbano para que retenham os sírios em seus territórios.

Berlim espera que a Itália não se oponha mais ao pagamento de 3 bilhões de euros prometidos pela União Europeia (UE) no final de 2015 à Turquia.

Em visita à Berlim nesta sexta-feira, o chefe de governo italiano, Matteo Renzi, garantiu que "a Itália está disposta a cumprir sua parte". Ao mesmo tempo, Renzi lembrou ter dito, em princípio, "sim à ajuda para a Turquia" em novembro e que ainda aguarda "as respostas dos amigos da Comissão Europeia".

Roma bloqueia o assunto, porque defende que sejam destinados mais fundos europeus para financiar os 3 bilhões de euros. Atualmente, um terço dessa quantia deve proceder do orçamento da UE, enquanto o restante deve ser fornecido pelos Estados europeus. A Itália também espera um controle do uso desses recursos por parte de Ancara.

"A implantação do acordo UE-Turquia é urgente, já que precisamos de avanços" para conter a chegada de imigrantes, reiterou Merkel.

Para a Alemanha, trata-se de aproveitar a trégua oferecida pelas tempestades de inverno no Mediterrâneo, que geraram uma considerável queda no número de imigrantes que tentam a travessia para a Itália e para a Grécia.

"É preciso utilizar esta oportunidade que se abre", afirmou na quinta-feira Peter Altmeier, coordenador da Política Migratória alemã, muito próximo a Merkel.

"Mas ainda são muitos os 2.500 refugiados ilegais que vêm (a cada dia) da Turquia à Grécia. É por isso que nosso objetivo é que o número de refugiados não aumente com o fim das tempestades de inverno", acrescenta.

Merkel se recusa, no entanto, apesar da forte queda de seu nível de popularidade, a limitar o número de refugiados acolhidos.

Esta linha é cada vez menos compartilhada. Segundo uma pesquisa nesta sexta-feira da revista Focus, 40% dos alemães consideram que a chanceler deve deixar seu cargo, contra 45% que são contrários.

É uma tendência ameaçadora antes de três eleições legislativas regionais em 13 de março. Nesse pleito, espera-se um espetacular aumento dos populistas anti-imigrantes do partido AfD (Alternativa para a Alemanha).

Nesse contexto, Merkel prometeu um "equilíbrio intermediário" de seus esforços após a cúpula UE-Turquía de 18 de fevereiro.

"Tudo deve dar a entender que se mantém a continuidade, mas, na realidade, o governo prepara uma correção de sua política migratória", estima nesta sexta-feira o jornal Handelsblatt.

Este endurecimento progressivo ocorre enquanto a Alemanha aparece na Europa como o único destino para centenas de milhares de migrantes.

Suécia e Finlândia anunciaram sua decisão de querer expulsar dezenas de milhares de imigrantes que chegaram a seus territórios em 2015. A Holanda espera reenviá-los à Grécia, enquanto Macedônia, Croácia e Sérvia não querem deixar as pessoas que têm como destino Áustria e Alemanha passarem.

O primeiro-ministro búlgaro, Boiko Borisov, pediu nesta sexta-feira o fechamento das fronteiras externas do espaço Schengen, enquanto a UE não decidir o que fazer com os imigrantes que já estão em seu interior.

"Insisto (que a Europa dê) ao menos um passo: fechar imediatamente as fronteiras externas da UE, enquanto estes 1 a 2 milhões de pessoas (imigrantes) não estiverem instaladas", disse.

"Não se pode deixar que (os refugiados) gastem seu dinheiro e, depois, sejam expulsos (...) mais vale impedir que venham", acrescentou após uma reunião com seu colega húngaro, Victor Orban.

Cerca de 30.000 refugiados sírios, iraquianos e afegãos seguiram tomando a rota dos Bálcãs em janeiro, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM).

"O impiedoso caráter dos grupos [de traficantes de seres humanos] que vemos é alarmante", estimou o porta-voz da OIM, Joel Millman.

Intensificados pelo mau tempo, dramas continuam sendo registrados no Mediterrâneo. As autoridades gregas recuperaram na manhã de quinta-feira os corpos sem vida de outros 24 imigrantes, entre eles dez crianças. Já a Marinha italiana encontrou outros seis cadáveres diante da costa líbia.

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