Ao menos 33 migrantes morrem em novo naufrágio no Mar Egeu

Ayvacik, Turkey, 30 Jan 2016 (AFP) - Ao menos 33 migrantes, incluindo várias crianças, morreram neste sábado em um novo naufrágio no Mar Egeu na tentativa de chegar à costa grega a partir da Turquia.

Originários da Síria, Afeganistão ou Mianmar, os migrantes zarparam da província turca de Çanakkale e, aparentemente, tentavam chegar à ilha grega de Lesbos.

Um primeiro balanço das autoridades turcas indicava 10 mortos.

A guarda costeira turca resgatou 75 migrantes, mas um número desconhecido de pessoas a bordo seguem desaparecidas.

Um fotógrafo da AFP viu os corpos de cerca de 20 pessoas, entre elas o de várias crianças, na orla perto da cidade de Ayvacik. O corpo de um bebê, completamente vestido, com o rosto coberto, lembrava muito o do pequeno sírio Aylan Kurdi, que comoveu o planeta em setembro ao ser encontrado sem vida.

"Estamos muito tristes, pelo menos 20 dos nossos amigos estão desaparecidos", declarou, entre soluços, um dos resgatados a um jornalista da AFP no local.

A embarcação estava a apenas 50 metros da costa turca. Alguns cadáveres foram arrastados pelas ondas para terra firme, onde foram recuperados.

Vários voluntários se juntaram aos trabalhos de resgate.

Este novo drama se soma aos sucessivos naufrágios dos últimos dias no Mar Egeu.

Na quinta-feira, 24 migrantes, dez deles crianças, afogaram-se em um outro naufrágio ao largo da costa da ilha grega de Samos.

Quarta-feira, sete pessoas morreram, incluindo duas crianças, ao largo da ilha de Kos, e 45 migrantes morreram na semana passada em três naufrágios na mesma zona.

Apesar das condições climáticas de inverno e as restrições impostas por alguns países europeus, que restabeleceram os controles nas fronteiras, as chegadas de refugiados continuam a ocorrer em janeiro.

No total, as chegadas de migrantes pelo Mediterrâneo na Europa totalizam 46.240 desde o início de janeiro, 44.000 dos quais passaram pela Grécia e 2.200 pela Itália, de acordo com o Alto Comissariado para os Refugiados da ONU (Acnur).

Neste período, foram registradas 244 mortes no mar, contra 82 no mesmo període de 2015 e 12 em 2014, de acordo com a OIM.

A grande maioria (84%) são refugiados, cidadãos de países localizados em zonas de guerra, segundo o Acnur.

Refugiados na TurquiaA Turquia, que abriga pelo menos 2,5 milhões de refugiados da guerra civil na vizinha Síria, tornou-se uma verdadeira plataforma de partida para os migrantes que tentam chegar à Europa, fugindo da guerra, da pobreza ou perseguição.

O governo turco assinou um acordo com a União Europeia (UE) em novembro para desacelerar o fluxo de migrantes para a Europa, em troca de uma contribuição financeira de 3 bilhões de euros (USD 3,2 bilhões).

Enquanto isso, a Alemanha anunciou que irá introduzir novas restrições sobre o direito de asilo para reduzir o fluxo de refugiados na primavera.

Ao mesmo tempo, a Alemanha deverá enfrentar a oposição da Itália ao apoio da UE à Turquia, que Berlim considera crucial para ajudar este país a gerir os milhões de refugiados no seu território.

A Itália bloqueia esta questão pois defende uma maior contribuição dos fundos europeus para financiar esses 3 bilhões de euros. Atualmente, um terço deste montante deve vir do orçamento da UE, enquanto o restante deve ser pago pelos Estados europeus.

A Itália também quer controlar a utilização dos fundos por Ancara.

No entanto, o ministro turco dos Assuntos Europeus, Volkan Bozkir, descartou neste sábado qualquer problema com a Itália. "A Turquia vai atingir 3 bilhões de euros até o final de fevereiro", disse o ministro turco em uma visita oficial a Roma.

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