Rei da Espanha pede ajuda ao líder socialista para formar governo

Madri, 2 Fev 2016 (AFP) - O rei Felipe VI da Espanha encarregou, nesta terça-feira, o líder do Partido Socialista, Pedro Sánchez, de tentar formar um governo, acabando com uma situação de paralisia seis semanas depois das eleições - informou o presidente do Congresso.

"Proponho o excelentíssimo Senhor Pedro Sánchez Castejón como candidato à liderança do governo", escreveu o rei em um texto lido pelo presidente na Câmara dos Deputados, Patxi López, no final do segundo turno de votação do monarca para designar um candidato à nomeação.

O socialista PSOE ficou em segundo lugar nas eleições legislativas de 20 de dezembro, com 90 dos 350 deputados, atrás do conservador Partido Popular e do líder de governo atual Mariano Rajoy, com 119 cadeiras.

Pedro Sánchez "calcula que vai precisar de três semanas a um mês" para negociar sua posse com os demais partidos depois que Rajoy, que perdeu com estreita margem sua maioria absoluta no mandato anterior, não conseguiu os apoios necessários, disse López.

Até agora a situação está paralisada: Rajoy insiste sem sucesso em pedir um pacto a três com o PSOE e o Cidadãos (40), enquanto Sánchez se nega a negociar para tentar formar um governo como pediu o monarca.

O partido socialista negociará "com todas as formações políticas, porque a mudança não é somente uma mudança de pessoas, tem de ser uma mudança de políticas", antecipou Sánchez depois da reunião com o monarca, pela manhã.

"É hora de deixarmos de falar de vetos e começarmos a falar do que podemos fazer unidos", acrescentou.

Essa situação de incerteza é inédita na Espanha. Desde a retomada da democracia em 1978, após o fim da ditadura de Francisco Franco, todos os governos se formaram um mês e meio depois das eleições, no máximo.

A tarefa de Sánchez se apresenta árdua, já que os partidos Podemos e Cidadãos se excluem mutuamente de um pacto de governo, e a matemática parlamentar torna necessário o apoio dos independentes catalães, com os quais o líder socialista não quer negociar.

Enfrenta ainda as duras críticas de grandes figuras de seu partido, contrárias à negociação com o Podemos.

Fundado em janeiro de 2014, o Podemos apresenta uma espetacular ascensão, que, se continuar, ameaça tirar os socialistas da liderança da esquerda na Espanha.

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