Cameron pede unidade ao Parlamento em negociações com Bruxelas

Londres, 3 Fev 2016 (AFP) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu nesta quarta-feira unidade ao Parlamento britânico, onde há muitos eurocéticos, para lutar juntos na reforma da União Europeia.

"Vamos travar esta luta juntos", disse Cameron, defendendo as propostas feitas pela UE na terça-feira para tentar convencer os britânicos a permanecerem no bloco.

"Se quiserem colocar fim ao dar sem receber nada em troca, se quiserem tirar o Reino Unido de uma união cada vez mais ferrenha, se quiserem igualdade entre os membros e os não membros da Eurozona e se quiserem uma Europa mais competitiva, vamos travar esta luta juntos", declarou.

A maioria dos eurocéticos acreditam que as últimas ofertas de Bruxelas não são suficientes, não permitem acabar com a imigração europeia em direção à Grã-Bretanha nem fortalecer o Parlamento britânico diante do legislativo europeu, suas principais reivindicações.

"Temos que fazer muito mais neste tema", disse à televisão Sky o prefeito de Londres e deputado, o eurocético Boris Johnson, conservador como Cameron.

"Vamos ver como este acordo acaba e o que realmente significa. Ponto por ponto", acrescentou.

Cameron, por sua vez, considerou que as propostas - contidas em um projeto que deve ser aprovado pelos 28 países da UE em 18 e 19 de fevereiro em Bruxelas -, são um "progresso real".

Os britânicos decidirão se seguem ou deixam a UE em um referendo que será realizado em uma data ainda a ser determinada até o fim de 2017.

O primeiro-ministro fez várias demandas a Bruxelas para pedir aos britânicos que apoiem a permanência de seu país no bloco.

Juncker se explica no Parlamento europeuO presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também defendeu a oferta feita ao Reino Unido.

O pré-acordo apresentado na terça-feira em Bruxelas para evitar uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado "Brexit", é justo, tanto para Londres quanto para seus sócios europeus, disse Juncker em uma sessão plenária do Parlamento Europeu.

"Assim como o primeiro-ministro (britânico) David Cameron, queremos que a UE seja mais competitiva e crie mais emprego", disse Juncker.

O Parlamento Europeu terá que se pronunciar sobre as reformas negociadas com o Reino Unido, acrescentou.

"Respondemos às inquietações" de Cameron "respeitando os tratados", explicou Juncker, declarando que "reconhecem que todos os Estados membros" não participam da mesma maneira em todos os domínios da União Europeia.

Entre outras coisas, a UE propôs que Londres tenha o poder de cortar as ajudas sociais aos imigrantes europeus durante seus primeiros quatro anos no país, algo que é conhecido nas negociações como "freio de emergência", e que o governo britânico acredita que pode dissuadir os europeus de se dirigirem para lá para trabalhar.

Além disso, Bruxelas prometeu que Londres não será afetada por uma maior integração da Eurozona, à qual não pertence.

O presidente francês, François Hollande, manifestou nesta quarta-feira sua oposição a "qualquer nova negociação" sobre as demandas britânicas, após a proposta de Bruxelas.

"Somos favoráveis a que o Reino Unido permaneça na União Europeia. O compromisso alcançado permite sem dúvida encontrar soluções para problemas que, até agora, pareciam difíceis de solucionar mas, no Conselho Europeu, não poderá haver novos ajustes" nem "novas negociações", disse à imprensa.

O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, considerou as propostas "um pacote ambicioso", mas disse que Berlim deveria analisá-los em detalhe.

O presidente americano, Barack Obama, também entrou no debate ao afirmar a Cameron que seu país está melhor dentro do bloco dos 28.

Obama falou com Cameron por telefone e "reafirmou o contínuo apoio dos Estados Unidos para um Reino Unido forte em uma União Europeia forte", de acordo com a Casa Branca.

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