Milhares de civis sírios fogem de ofensiva do Exército em Aleppo

Damasco, 5 Fev 2016 (AFP) - Dezenas de milhares de civis fugiram nesta quinta-feira de suas casas no norte da Síria, região submetida a uma ofensiva do Exército sírio contra os rebeldes com o apoio aéreo maciço da Rússia.

Enquanto isso, em Londres, a comunidade internacional prometia 10 bilhões de dólares em ajuda ao país.

Aleppo é um dos últimos redutos da rebelião contra o governo de Bashar al-Assad, que está retomando com força a iniciativa na sangrenta guerra civil na Síria.

Este aumento da pressão militar provocou a suspensão dos diálogos de paz que apenas acabavam de começar na semana passada em Genebra, sob os auspícios da ONU.

Entre "60 e 70 mil pessoas" devem buscar refúgio em breve na Turquia para escapar da ofensiva do Exército de Al-Assad, advertiu o premiê turco, Ahmet Davutoglu, cujo governo se opõe ao poder em Damasco.

Ele falou em uma conferência de doadores organizada em Londres, na qual se arrecadou mais de 10 bilhões de dólares para ajudar as populações afetadas pelo conflito, de acordo com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

A conferência de Londres também serviu para novas trocas de acusações diplomáticas.

Os Estados Unidos voltaram a exigir que Moscou suspenda os bombardeios que, segundo Washington, visam aos rebeldes, e não aos integrantes do grupo Estado Islâmico (EI).

A Rússia não hesitou, por sua vez, em proclamar sua potência militar. Pelo menos 875 "alvos terroristas" foram bombardeados "nos últimos três dias", em particular na região de Aleppo, relatou o Ministério russo da Defesa.

'O começo do fim'Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede na Grã-Bretanha, 21 civis, vários deles crianças, morreram nesta quinta-feira em um bombardeio russo sobre bairros rebeldes de Aleppo.

Aleppo, que antes da guerra era a capital econômica síria, é um ponto-chave no norte do país para a conexão com a Turquia.

Os rebeldes estão em uma situação extremamente difícil, porque as tropas do governo cortaram a principal rota de abastecimento na zona rumo à Turquia.

Se o Exército conseguir avançar para a cidade de Aleppo, isso pode significar "o começo do fim" para os rebeldes - pelo menos no sentido de receber uma ajuda urgente dos países do Golfo e da Turquia, analisou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Lançada na segunda-feira pelo Exército, a ofensiva obrigou 40.000 civis da região a deixarem suas casas, informou o OSDH. Milhares de pessoas perambulam sem local para se abrigar na ampla zona do norte da Síria, fronteiriça com a Turquia.

Davutoglu manifestou sua preocupação com o número de refugiados que se dirigem à Turquia e acusou "os cúmplices de Bashar al-Assad" de serem "culpados dos mesmos crimes de guerra" que o governo sírio, em alusão a Moscou.

A Rússia respondeu que tem motivos para acreditar em que a Turquia prepara uma intervenção militar depois de ter-lhe negado a permissão para um voo de reconhecimento.

'Fechar a fronteira'Em Damasco, uma fonte de alto escalão disse à AFP que o governo quer ir mais longe.

"Os próximos objetivos são fechar a fronteira com a Turquia para impedir a chegada das tropa e de armas (para os rebeldes). Depois, será a vez da província de Aleppo e a de Idleb (noroeste)", capturada em 2015 pelos rebeldes, disse a fonte consultada pela AFP.

Para Maamun al-Khatib, ativista do norte de Aleppo, "a situação na região de Aleppo é catastrófica para os civis, principalmente nas localidades de Tell Refaat, Azaz e Marea, sitiadas por três lugares. Resta-lhes apenas uma rota para ir à Turquia".

"Trezentas mil pessoas que vivem nestas regiões estão sob ameaça da Aviação russa, que realiza bombardeios intensos" há vários dias, acrescentou em uma comunicação pela Internet.

O Conselho de Segurança da ONU manterá nesta sexta-feira consultas com o mediador da ONU na Síria, Staffan de Mistura. O encarregado da ONU deverá explicar o motivo pelo qual decretou uma "pausa" nas negociações até 25 de fevereiro.

Hoje, a Arábia Saudita disse estar pronta para se unir com tropas no terreno à coalizão contra o grupo Estado Islâmico, se a aliança liderada pelos Estados Unidos decidir adotar esta estratégia.

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