Suécia pedirá de novo para interrogar Assange em Londres

Em Estocolmo

  • Toby Melville/Reuters

A procuradora sueca que investiga as acusações de estupro contra Julian Assange, afirmou nesta terça-feira (9) que vai pedir novamente para interrogá-lo em Londres, sem levar em conta a opinião da ONU que julgou a prisão do fundador do site de vazamentos WikiLeaks arbitrária.

"No que diz respeito ao texto publicado na semana passada pela ONU, quero informar que isso não muda em nada minha apreciação anterior", afirmou em um comunicado.

Marianne Ny acrescentou que está trabalhando em uma nova petição para interrogar Assange na embaixada do Equador em Londres.

Na semana passada, Assange convocou o Reino Unido e a Suécia a acatar a decisão de um comitê legal da ONU.

"Conseguimos uma vitória significativa", declarou o fundador do WikiLeaks, considerando ofensiva a reação do ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, que chamou de ridícula a decisão do Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da ONU.

Um comitê legal da ONU pediu na sexta-feira o fim da detenção arbitrária de Julian Assange na embaixada do Equador em Londres, alimentando as esperanças do australiano de deixar o local depois de três anos e meio.

"Julian Assange foi detido arbitrariamente", afirmou o grupo de trabalho da ONU, convocando as "autoridades suecas e britânicas" a colocar fim a sua detenção e a respeitar seu direito de receber uma compensação.

No entanto, Londres insistiu que a decisão "não muda nada".

O ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, considerou a decisão "ridícula" e Assange, um "fugitivo".

Estocolmo se manifestou na mesma linha, declarando que não está de acordo com a decisão do painel.

O ciberativista australiano está desde junho de 2012 na embaixada equatoriana, quando pediu asilo a Quito para evitar ser extraditado à Suécia. A procuradoria sueca quer interrogá-lo por um suposto estupro cometido em 2010 e que ele nega.

Estocolmo e Quito chegaram em dezembro a um acordo para que o interrogatório ocorresse na embaixada, mas um mês depois a procuradoria sueca anunciou que a equatoriana havia rejeitado seu pedido por vício de forma.

O australiano sempre temeu que a Suécia fosse apenas uma escala em direção ao seu destino final, os Estados Unidos, cujo governo gostaria de puni-lo por ter publicado milhares de documentos confidenciais sobre as guerras de Iraque e Afeganistão, assim como documentos privados das embaixadas americanas com afirmações pouco diplomáticas.

O homem que forneceu a ele muitos destes documentos, o soldado Chelsea Manning, cumpre uma condenação de 35 anos de prisão.

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