México: diretora e carcereiro são detidos após 49 mortes em presídio

Monterrei, México, 14 Fev 2016 (AFP) - A diretora do presídio mexicano de Topo Chico em Nuevo León (norte), um delegado e um carcereiro foram detidos por suposta responsabilidade no motim de detentos que deixou 49 mortos em Monterrey - informou a Procuradoria local.

A Procuradoria Geral de Justiça de Nuevo León revelou que os funcionários protegiam alguns réus que exerciam o controle na instituição penal, entre eles Iván Hernández Cantú, conhecido como "El Credo", que tinha uma cela luxuosa e contava com regalias - entre elas, a de visitas femininas.

A diretora de Topo Chico, Georgina Salzar Robles, e o delegado de Administração Penitenciária, Jesús Fernando Domínguez, foram detidos depois de serem acusados de "não respeitar as medidas de segurança no presídio", disse o procurador que investiga o episódio, Carlos Cruz de Hoyos, em entrevista coletiva no sábado.

O agente penitenciário José Reyes Hernández também foi detido sob suspeita de matar um dos réus, a tiros, durante a rebelião, ocorrida na madrugada de quinta-feira. Este foi o mais sangrento motim no país, nos últimos anos, e acendeu os alarmes das autoridades de Nuevo León diante da escalada da violência.

O delegado e a diretora são apontados como principais responsáveis pela rebelião, já que permitiam aos presos "perambular livremente de dia e de noite", afirmou o procurador, acrescentando que algumas celas sequer tinha cadeado.

Os responsáveis pela instituição também são acusados de "tráfico de drogas, cobrança de propina e de conceder privilégios a alguns", completou.

Enquanto a maioria dos presos vivia em condições bastante precárias, Hernández Cantú, por exemplo, "tinha cama king size, uma televisão de 50 polegadas e banheiro de luxo e, além disso, no momento do ataque uma mulher estava com ele", descreveu o procurador estadual Roberto Flores Treviño, que atribuiu as irregularidades à falta de pessoal de vigilância.

Autoridades de Nuevo León disseram que o sangrento confronto aconteceu por uma disputa pelo controle do presídio entre dois líderes rivais dos Zetas - Iván Hernández Cantú e Juan Pedro Zaldívar Farías, conhecido como "El Z-27". Farías estava há apenas dois meses nesta instituição.

Em Topo Chico, a superlotação chega a 35%, com 3.800 detentos.

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