Ataques com mísseis a hospitais e escolas matam 50 civis na Síria

Nova York, 15 Fev 2016 (AFP) - Pelo menos cinquenta civis morreram no norte da Síria, inclusive crianças, em ataques com mísseis contra hospitais em Aleppo e Idleb, duramente condenados pelas Nações Unidas e por Washington, enquanto Moscou responsabilizou a aviação americana pela destruição de um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras em Idleb.

Os ataques foram considerados "violações flagrantes do direito internacional" pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse seu porta-voz adjunto, Farhan Haq.

Ban considerou que estes ataques, que atingiram particularmente um hospital operado pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), "ofuscaram os compromissos do Grupo de Apoio Internacional para a Síria (ISSG, em inglês)" na recente reunião em Munique, acrescentou Haq.

O Departamento de Estado americano criticou, por sua vez, em um duro comunicado "a brutalidade do regime de (Bashar al) Assad" e pôs "em dúvida a vontade e/ou capacidade da Rússia e contribuir para detê-la".

O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, mostrou-se indignado de que "o regime de Assad e seus aliados possam seguir com seus ataques, que ignoram suas obrigações internacionais de proteger vidas inocentes e que vão contra os apelos unânimes" do ISSG.

Kirby informou em comunicado que eram realizados "ataques aéreos sobre e nos arredores de Aleppo contra alvos civis inocentes, principalmente um hospital administrado pela MSF e um hospital para mulheres e crianças na cidade de Azaz".

"Pedimos uma vez mais a todas as partes para cessar os ataques contra civis e tomar as medidas necessárias para acordar um acesso humanitário e o cessar das hostilidades, que o povo sírio precisa desesperadamente", acrescentou.

Em Moscou, o embaixador da Síria, Riad Haddad, refutou as acusações dos Estados Unidos, denominando-as de "uma manifestação da guerra de informações que começou nos primeiros dias do conflito na Síria".

"Realmente, a aviação americana o destruiu", declarou Haddad, em alusão ao hospital, durante entrevista com a emissora pública russa Rossiya 24, difundida na noite desta segunda-feira.

"A aviação russa não tem nada a ver com tudo isto, as informações recolhidas o mostram claramente", prosseguiu Haddad.

A MSF, por sua vez, informou que pelo menos sete pessoas morreram e oito foram reportadas como desaparecidas depois de um bombardeio aéreo russo ao hospital que administram na região de Maaret al-Noomane, 280 km ao norte de Damasco.

A França condenou com firmeza os bombardeios ao hospital.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean Marc Ayrault, denunciou "um novo bombardeio deliberado" contra a organização depois que "dois ataques diferentes" atingiram a instalação.

A ONG opera 153 hospitais da Síria, dos quais cinco foram alvo de ataques desde o começo do ano. Outras ofensivas, atribuídas a tropas russas, deixaram dez mortos, inclusive três crianças em Azaz, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

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