Ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert é preso por corrupção

Ramla, Israel, 15 Fev 2016 (AFP) - O ex-primeiro-ministro Ehud Olmert entrou nesta segunda-feira em um centro penitenciário de Israel para cumprir uma pena de 19 meses por corrupção, o que o converte no primeiro ex-chefe de governo israelense a ingressar na prisão.

Olmert, de 70 anos e chefe de governo entre 2006 e 2009, foi condenado a 18 meses por ter recebido subornos quando era prefeito de Jerusalém, entre 1993 e 2003. A esta pena se soma outro mês de prisão por obstrução à justiça.

Olmert chegou à prisão Maasiyahu de Ramla, perto de Tel Aviv, escoltado por guardas da segurança interior que o acompanharam em sua qualidade de ex-primeiro-ministro.

O ex-chefe de governo chegou de carro pela parte traseira da prisão para se esquivar dos muitos jornalistas que transmitiam o acontecimento ao vivo.

Caminhou lentamente pelo pátio da prisão, junto aos guardas, mas entrou sozinho na penitenciária. Agora cabe à administração da prisão garantir sua proteção.

Ainda nesta segunda-feira, antes de entrar na prisão, Olmert publicou um vídeo no qual negava sua culpa.

"Podem imaginar a dor e a estranheza que esta mudança representa para mim, para minha família, meus entes queridos e as pessoas que me apoiam", afirmou Olmert nas imagens com ar abatido. "Nego todas as acusações de suborno contra mim", acrescentou.

Este ex-advogado, amante do luxo, de roupas caras e de boa comida, permanecerá detido em uma ala reservada a certos presos.

O único tratamento especial que receberá se refere a sua segurança, já que, como ex-chefe de governo, é depositário de informações sensíveis, segundo uma fonte penitenciária.

"Apesar de ser triste, o espetáculo de um ex-primeiro-ministro condenado entrando na prisão mostra a solidez de nossa democracia, a vigência da igualdade diante da lei", declarou Shelly Yachimovich, membro da oposição trabalhista.

Camas, chuveiro, vaso e TVOlmert, ex-membro do Likud - partido de direita do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - ficará detido nesta ala do centro, um setor especial de 18 vagas reservado aos que "não podem ficar com o resto da população carcerária".

Esta zona conta com seis celas, cada uma com três camas, ducha e vaso sanitário, armário, mesa, cadeiras e um televisor, mas com um número limitado de canais. No corredor há telefones e a ala dispõe de uma sala de descanso, um pátio, salas, uma sinagoga, uma biblioteca e um refeitório.

Olmert deverá ir à sala para telefonar. Se vestirá como quiser no interior da prisão, mas utilizará o uniforme laranja de presidiário se precisar sair do complexo penitenciário.

O ex-chefe de governo dividirá seu espaço com o ex-presidente Moshé Katsav, que cumpre uma pena de sete anos por estupro.

Olmert foi condenado por receber subornos no âmbito do faraônico projeto imobiliário Holyland de Jerusalém quando era prefeito da cidade (1993-2003).

Além disso, foi condenado em maio de 2015 a oito meses de prisão por ter recebido sem declarar dezenas de milhares de dólares do empresário americano Morris Talansky quando era ministro de Comércio e Indústria (a partir de 2003). A apelação por este caso ainda deve ser examinada pelo Tribunal Supremo, em uma data que ainda não foi fixada.

Olmert sucedeu em 2006 à frente do governo Ariel Sharon, vítima de um derrame cerebral. Após sua acusação no caso Hollyland, desistiu de se apresentar às primárias do Kadima, um partido que fundou junto a Sharon após uma cisão no seio do Likud.

Olmert se envolveu em negociações, intensas mas mal sucedidas, para tentar resolver o conflito israelense-palestino. Era a favor da criação de um Estado palestino, e estava disposto a realizar uma retirada israelense da maior parte da Cisjordânia ocupada.

Sua saída deixou o caminho livre até o poder para Netanyahu, que dirige o governo desde 2009.

dar-lal/hj/pc/me.

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