Perspectiva de trégua se distancia na Síria após bombardeios que matam quase 50 civis

Beirute, 16 Fev 2016 (AFP) - A esperança de uma trégua na Síria se esfumaça depois dos bombardeios contra hospitais e escolas desta segunda-feira, que deixaram 50 mortos e que a ONU denunciou como "violações flagrantes do direito internacional".

Estes bombardeios contra civis, o avanço dos curdos no norte, apesar dos ataques da Turquia, e a escalada verbal entre Ancara e Moscou, cada vez mais implicados no conflito, anteveem uma perspectiva sombria para a trégua, prevista para o fim de semana.

Além disso, as expectativas se diluíam depois que o presidente sírio, Bashar al Assad, disse que considera "difícil" a implementação do cessar-fogo.

"Dizem que querem um cessar-fogo dentro de uma semana. Há alugém que seja capaz de cumprir todas as condições em uma semana? Ninguém", disse Al Assad em declarações à TV.

Durante o dia, a ONU contabilizou 50 mortos após bombardeios contra cinco hospitais e duas escolas nas províncias de Aleppo e Idleb.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, considerou que estes ataques, que castigaram particularmente um hospital operado pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) "ensombrecem os compromissos do Grupo de Apoio Internacional para a Síria (ISSG, na sigla em inglês)" na recente reunião em Munique.

A MSF denunciou que um hospital assistido pela ONG, a 280 km de Damasco, foi bombardeado. A organização informou que sete pessoas morreram e oito trabalhadores continuam desaparecidos.

Massimiliano Rebaudengo, chefe da missão da MSF na Síria, denunciou que o "ataque foi deliberado". A ONG ajuda 153 hospitais na Síria, cinco dos quais foram atingidos por bombardeios desde o começo do ano.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) atribuiu o bombardeio a aviões russos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que quatro hospitais, dois deles apoiados pela organização, foram bombardeados. Em Azaz, no norte, duas escolas foram bombardeadas e seis crianças morreram.

O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, se mostrou indignado de que "o regime de Assad e seus aliados possam continuar seus ataques, que ignoram suas obrigações internacionais".

Por outro lado, os Estados Unidos pediram a Turquia e Rússia, cada vez mais envolvidos em um discurso violento e mais comprometidos no conflito, que "evitem uma escalada" em um momento em que há outros prolegômenos de uma internacionalização do conflito.

O premiê turco, Ahmed Davutoglu, acusou a Rússia na segunda-feira de agir "como uma organização terrorista" na Síria e ameaçou com uma "resposta".

A Rússia, por sua vez, que desde setembro apoia o regime de Assad e bombardeia posições dos rebeldes, também é aliado dos curdos. Moscou tachou na segunda-feira de "provocadores" os ataques turcos contra posições curdas e do regime de Assad e os qualificou de "apoio não velado ao terrorismo internacional".

A crescente implicação de Ancara no conflito sírio inquieta os ocidentais, que são ao mesmo tempo os aliados da Turquia na Otan, e dos curdos.

Os curdos conquistam Tall RifaatQuinze dias depois de uma grande ofensiva das forças do regime de Al Assad, apoiadas por bombardeios aéreos russos, o exército sírio cerca quase totalmente os bairros rebeldes de Aleppo, antiga capital econômica do país, e avança agora para o norte.

Aproveitando o enfraquecimento dos rebeldes, submetidos a intensos ataques aéreos russos, as forças curdas também avançam.

Apesar dos bombardeios da artilharia turca, as milícias curdas conseguiram avançar e controlar a localidade de Tall Rifaat, um dos últimos redutos rebeldes da província, informou o OSDH.

Nesta batalha de Aleppo, os curdos - que não estão alinhados nem com o regime, nem com os rebeldes - querem, sobretudo, unir as regiões que controlam, uma a nordeste e outra a noroeste, para facilitar seu objetivo de autonomia, como as que os curdos do Iraque têm.

Eles se encontraram na linha de frente do combate com os jihadistas do grupo EI e os ocidentais os consideram os únicos capazes de detê-los.

Apesar dos apelos de Washington e Paris para que ponha fim a seus bombardeios, o premiê turco advertiu que eles continuarão para impedir que os curdos se apoderem de Azaz, localidade situada a 10 km da fronteira.

Para os turcos, os curdos sírios pertencem a organizações "terroristas" vinculadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), formação por trás de uma sangrenta rebelião na Turquia desde 1984.

Cinco anos depois do início da guerra na Síria, que deixou mais de 260.000 mortos, a situação humanitária é catastrófica no país. Agravou-se após a ofensiva do regime, com o êxodo de milhares de pessoas que se aglomeram na ainda fechada fronteira turca, ao norte do país.

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