Parlamento rejeita moção de censura contra premiê ucraniano

Kiev, 16 Fev 2016 (AFP) - O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, permanecerá no cargo, depois que uma moção de censura contra seu gabinete fracassou no Parlamento, horas depois de o presidente Petro Poroshenko exigir sua demissão.

A moção recebeu apenas 194 votos favoráveis dos 226 requeridos na Câmara de 450 assentos. Poroshenko havia pedido a demissão de Yatseniuk "para restaurar a confiança no poder".

O primeiro-ministro, no cargo há dois anos, foi muito criticado nos últimos meses pelas insuficiências das reformas que prometeu, assim como pela defesa dos interesses dos oligarcas.

Segundo uma pesquisa recente, cerca de 8% dos ucranianos apoia sua ação e 70% deseja que renuncie a seu cargo.

Em um discurso ante o parlamento pronunciado antes da moção, Yatseniuk defendeu as realizações de seu governo, em que "fez o máximo possível em uma situação difícil".

Uma "nova Ucrânia""Temos que construir, juntos, uma nova Ucrânia europeia", acrescentou.

"Salvamos o país e gostaria que respeitassem isto", disse, antes da votação.

"Agora temos um país com os cofres cheios, um exército ucraniano armado, dívidas canceladas e salários e pensões pagas", declarou o primeiro-ministro.

Poroshenko havia pedido a demissão de Yatseniuk porque é acusado, entre outras coisas, de defender os interesses dos oligarcas.

O primeiro-ministro contou, durante muito tempo, com o apoio das potências ocidentais.

"O presidente pediu ao procurador-geral e ao primeiro-ministro que deixem seus cargos para restaurar a confiança no poder", escreveu no Twitter o porta-voz do chefe de Estado, Sviatoslav Tsegolko.

O procurador Viktor Chokin é acusado por seus críticos de não fazer nada contra a corrupção, e, inclusive, de acobertá-la, uma vez que se tratam de oligarquias próximas ao poder.

"A terapia não basta, é necessária uma cirurgia", segundo Poroshenko, embora corresponda à la Rada, o parlamentar ucraniano, decidir sobre o futuro dos dois homens.

Outro membro do governo pró-ocidental de Poroshenko havia abandonado seu cargo no começo de fevereiro. O então ministro de Economia, Aivaras Abromavicius, apresentou sua renúncia e denunciou a onipresença da corrupção como causa do bloqueio das reestruturações que considerava necessárias para o país.

A renúncia intempestiva de Abromavicius, de 40 anos, revelou as divergências no interior do gabinete de Poroshenko e as dificuldades desta ex-república soviética, de 40 milhões de habitantes, em implementar as reformas que permitam o cumprimento do objetivo de se integrar à União Europeia (UE).

Yatseniuk é um jurista e economista de fervorosa ascensão política, que se impôs como um dos líderes opositores ao presidente destituído Viktor Yanukovich.

Nascido em 1974 em Chernovtsy, foi designado ministro de Economia da República Autônoma da Crimeia em 2001.

Depois de passar pelo Banco Central, a Revolução Laranja lhe propôs, em 2005, a pasta de Economia da Ucrânia. Em 2007, dirigiu a diplomacia do país.

Em 2010, apresentou-se para as eleições presidenciais, mas só obteve 7% dos votos. Recusou, em seguida, o convite de Yanukovich de integrar o governo.

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