EUA: ativistas intensificam mobilização do voto latino com 'ajuda' de Trump

Washington, 17 Fev 2016 (AFP) - Nove grupos civis lançaram, nesta quarta-feira, uma campanha para estimular os latinos a votar na eleição presidencial de 8 de novembro nos Estados Unidos, mas afirmam que o pré-candidato republicano Donald Trump já está fazendo parte do trabalho de convocação por eles.

Sem mencionar seu nome, os ativistas apostam em que o magnata que chamou de "estupradores" os mexicanos em situação ilegal e que, além disso, defende sua deportação, despertará indignação suficiente entre os latinos para levá-los em maior número às urnas.

Trump está fazendo "um trabalho incrível para dar vigor e mobilizar nossa comunidade", disse Cristóbal Alex, da Latino Victory.

Os ativistas esperam que o "efeito Trump" supere aquele provocado pelo ex-governador da Califórnia Pete Wilson, nos anos 1990 e, mais recentemente, do polêmico xerife do condado de Maricopa no Arizona, Joe Arpaio. Suas propostas contra os imigrantes em situação ilegal mobilizaram uma esmagadora contraofensiva dos hispânicos para derrotá-las.

"Ironicamente, talvez esse candidato vá ser um dos maiores mobilizadores do voto latino", avaliou Brent Wilkes, da LULAC, a mais antiga organização dos direitos civis dos hispânicos.

"Esta é a grande briga que temos de ganhar, porque, pela primeira vez, temos um candidato que desafiou nossa comunidade, dizendo especificamente que os 58 milhões de latinos que vivem no leste do país não são tão bons quanto o restante", acrescentou Wilkes.

"Não podemos aguentar isso. Temos de contra-atacar", frisou.

Os latinos serão cruciais na eleição para o sucessor de Barack Obama.

Para a presidente da Voto Latino, María Teresa Kumar, esta "é uma oportunidade".

A nova campanha se concentra em ampliar o eleitorado latino, assim como em convencer os eleitores a irem, de fato, votar. Embora cerca de 27 milhões de latinos estejam habilitados em 2016, pelo menos 12 milhões não estão inscritos.

Ocupando um recorde de 11,9% do total de eleitores, apenas metade dos latinos foi às urnas nas eleições presidenciais de 2008 e de 2012, contra dois terços dos eleitores brancos não hispânicos e negros.

Pela primeira vez, serão feitos esforços de mobilização já durante as primárias - entre fevereiro e junho -, especialmente nos estados do sul e do oeste como Nevada. Neles, concentra-se uma numerosa população de origem latina.

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