Brasil e Argentina relançam integração rumo ao livre comércio automotivo

Buenos Aires, 18 Fev 2016 (AFP) - Os governos do Brasil e da Argentina acordaram nesta quinta-feira, em Buenos Aires, relançar a relação bilateral para uma integração maior, rumo ao livre comércio no setor automotivo.

"Chegamos a um acordo no qual temos que ter uma integração produtiva que gere emprego e que olhemos no longo prazo para uma abertura dos mercados de livre comércio", disse em coletiva de imprensa o ministro argentino da Produção, Francisco Cabrera, em companhia do colega brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro.

O comércio bilateral, chave para os dois países, está em uma curva descendente que se observa dos 40 bilhões de dólares registrados em 2011 aos US$ 22,5 bilhões alcançados em 2015. As duas economias têm indicadores de estagnação ou recessão.

"Sobre o acordo automotivo, os ministros acordaram o lançamento de um cronograma de negociações bilaterais e alcançar progressivamente e, em condições equilibradas, o livre comércio do setor automotivo bilateral", informou o ministério da Produção em um comunicado.

O comércio automotivo representa cerca de 45% do comércio bilateral global. As vendas despencaram nos dois países.

"Acreditamos na necessidade de dinamizar o funcionamento interno do Mercosul, em coordenação com nossos parceiros (Uruguai, Paraguai, Venezuela e Bolívia). Colocamos especial ênfase nos temas de investimentos, compras governamentais e convergência regulatória", disse Cabrera.

Monteiro, por sua vez, apontou outro tema estratégico, ao destacar que "é preciso dar prioridade ao intercâmbio de ofertas com a União Europeia e à ampliação da rede de acordos comerciais extrarregionais".

Um dos propósitos da visita de Monteiro era renegociar o acordo automotivo atual para avançar em um esquema de livre comércio similar ao que o Brasil assinou com o Uruguai em dezembro, com percentuais de componentes nacionais nos veículos.

O acordo vigente com o Brasil, renovado em dezembro até junho, estabelece um esquema no qual a cada 1,5 dólar importado do Brasil, a Argentina exporta 1 dólar.

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