Guerra dizima hospitais sírios apoiados pela organização MSF

Genebra, 18 Fev 2016 (AFP) - A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou, nesta quinta-feira, ataques aéreos e disparos de foguetes que atingiram em 2015 mais de 60 centros apoiados pela ONG na Síria e que "dizimaram" as infraestruturas sanitárias do país.

Os mais de 90 bombardeios registrados em 2015 deixaram completamente destruídos 12 dos centros atingidos, afirma a MSF em um comunicado divulgado nesta quinta-feira.

"Cinco anos de guerra na Síria dizimaram as infraestruturas sanitárias", constatou a organização em seu comunicado.

"Hoje, na Síria, o anormal é agora normal, o inaceitável é aceito", declarou Joanne Liu, presidente internacional da MSF diante da ONU, em coletiva de imprensa em Genebra, após ser divulgado o texto, um dia depois de um bombardeio que deixou ao menos 25 mortos.

Referindo-se a este bombardeio que matou ao menos "nove funcionários e 16 civis" na segunda-feira na província rebelde de Idleb, Liu completou: "Este ataque só pode ser considerado deliberado. Provavelmente foi realizado pela coalizão liderada pelo governo sírio já que é o ator dominante e mais ativo na região".

O observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede na Grã-Bretanha, atribuiu o bombardeio a aviões russos, mas Moscou desmentiu ter atacado qualquer hospital.

Liu, por sua parte, mostrou-se prudente sobre uma possível participação russa no bombardeio, destacando que a MSF gostaria de entender com precisão o ocorrido.

No centro, com 30 leitos, duas salas de operação, um serviço de consultas externas e uma sala de emergência, trabalham 54 pessoas.

A MSF apoia esta estrutura desde setembro de 2015, fornecendo material médico e cobrindo seus custos de funcionamento. Igualmente apoia outros 152 hospitais em toda Síria.

Liu também declarou que "a MSF recolheu durante 2015 dados médicos de 70 clínicas e hospitais os quais apoia na Síria. Mais de 154.000 pessoas que apresentavam feridas de guerra receberam tratamento no ano passado. Destas, entre 30% e 40% eram mulheres e crianças", completou.

Além disso, "os feridos e mortos fora dos centros de saúde apoiados pela MSF continuam sendo incalculáveis. A situação real é, muito provavelmente, muito, muito pior", criticou.

"Somos testemunhas de um fracasso mundial coletivo. Deve ser colocado um fim nos ataques contra os centros de saúde e outros alvos civis", insistiu.

Para Liu, "o Conselho de Segurança da ONU e todas as potências envolvidas na região devem fazer mais (...) pelo simples motivo de salvar vidas", declarou.

Por último, Liu repetiu "nossa exigência de que cessem os bombardeios nas zonas sitiadas".

Dezenas de caminhões carregados de comida e medicamentos chegaram na quarta-feira a várias cidades sitiadas da Síria, onde centenas de milhares de pessoas sobrevivem em condições dramáticas.

Na Síria, quase meio milhão de pessoas vivem em zonas sitiadas e 4,6 milhões em áreas de difícil acesso, segundo o Escritório das Nações Unidas para Ajuda Humanitária (Ocha, na sigla em inglês).

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