Grupo ligado aos rebeldes curdos do PKK reivindica atentado de Ancara

Istambul, 19 Fev 2016 (AFP) - Um grupo ligado aos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), os Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), reivindicou nesta sexta-feira o ataque com carro-bomba contra um comboio militar que matou 28 pessoas na quarta-feira no centro de Ancara e alertou os turistas sobre o risco de visitar o país.

"Em 17 de fevereiro à noite, um ataque suicida foi realizado às 18h30 nas ruas de Ancara por um guerreiro camicaze contra um comboio de soldados da República Turca fascista", afirma uma declaração publicada no site do grupo, que já havia reivindicado em dezembro um ataque com morteiro contra um aeroporto de Istambul.

"Esta ação foi realizada para vingar as pessoas vulneráveis mortas em Cizre e nossos civis feridos", afirma a declaração em referência à cidade do sudeste do país, de maioria curda, onde o exército e a polícia turcas realizam uma operação mortal contra os partidários do PKK.

Em seu texto, TAK publicou uma foto de um homem nascido em 1989 em Van (leste), Zinar Raperin, apontado como o autor do ataque em Ancara.

O grupo também advertiu os turistas estrangeiros sobre os riscos de viajar à Turquia.

"O turismo (...) é um alvo que queremos destruir. Aconselhamos os turistas estrangeiros e turcos que não vão às zonas turísticas da Turquia", acrescentou o grupo em uma declaração em inglês em sua página web.

Não seremos "responsáveis pelos que morrerem nos ataques nestes setores", sentenciou.

Na quinta-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu disseram que o ataque havia sido perpetrado pelos combatentes curdos sírios das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), com o apoio do PKK.

Davutoglu também afirmou que o suicida era um sírio, de 23 anos, Salih Necar. Vários meios de comunicação turcos chegaram a informara que ele teria sido identificado através de suas impressões digitais, registradas em sua chegada na Turquia como refugiado.

Na sexta-feira, Erdogan continuou afirmando que não tinha dúvidas sobre o envolvimento do YPG. "Quem era o suicida? Com certeza era do YPG", disse à imprensa.

Vários jornais turcos afirmaram que tinha sido identificado graças às impressões digitais, registradas quando chegou à Turquia como refugiado.

O líder do Partido da União Democrática (PYD), braço político das YPG, Saleh Muslim, e um dos líderes do PKK, Cemil Bayik, haviam negado as acusações.

O TAK tinha reivindicado um ataque de morteiro lançado em 23 de dezembro contra o aeroporto Sabiha Gokcen de Istambul, que matou uma pessoa.

Erdogan tinha informado durante o dia que teria uma conversa por telefone com o presidente americano, Barack Obama, para reiterar seu desacordo com o apoio que os Estados Unidos dão aos curdos que combatem o grupo Estado Islâmico na Síria.

A presidência turca informou em um comunicado que Erdogan destacou na conversa "a importância da solidariedade entre aliados na luta contra o terrorismo".

O governo turco informou, ainda, que Obama pediu uma suspensão imediata dos movimentos das milícias do YPG e do regime sírio na fronteira, pois "causam tensões" e "afetam o combate contra o EI".

Estados Unidos e Turquia são contrários ao governo do presidente sírio, Bashar al Assad.

Desde que teve início o conflito interno sírio, em 2011, os curdos aproveitaram a retirada do exército de Damasco para criar uma administração local nas zonas sob seu controle.

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