Rússia promete manter ajuda a Damasco no combate aos 'terroristas'

Beirute, 20 Fev 2016 (AFP) - A Rússia prometeu neste sábado que continuará a ajudar Damasco a lutar contra os "terroristas" na Síria, enquanto a oposição exigiu como pré-condição a uma trégua temporária o fim das operações dos aliados do regime.

O conflito na Síria, que entrará no próximo mês em seu sexto ano, sofreu uma nova escalada há uma semana, quando a Turquia começou a bombardear no norte do país posições curdas.

Moscou, que apoia uma participação dos curdos sírios nas negociações de paz sobre o conflito, apresentou na sexta-feira ante o Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução visando parar as operações militares da Turquia na Síria, mas este plano foi rejeitado.

"O Kremlin está preocupado com o aumento das tensões na fronteira turco-síria", indicou um porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, que chamou de "inaceitáveis" os disparos de artilharia turcos.

O porta-voz também "lamentou" a rejeição do Conselho de Segurança da ONU do projeto de resolução.

"Só podemos lamentar que este projeto foi rejeitado", afirmou, ressaltando que a Rússia prosseguirá com sua política "para assegurar a estabilidade e integridade territorial da Síria".

Neste sábado, Ancara voltou a bombardear posições curdas no norte da província de Aleppo, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O presidente Recep Tayyip Erdogan considera as milícias curdas sírias como organizações "terroristas", ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que conduz desde 1984 uma rebelião contra o poder turco.

Por sua vez, os ocidentais, principalmente a União Europeia e Washington, bem como Ancara - que apoia a rebelião - exigem que a Rússia pare seus bombardeios na Síria em apoio ao regime de Bashar al-Assad.

Mas "a Rússia continuará a defender sua linha política, a fim de prestar assistência e ajudar as forças armadas sírias em sua ofensiva contra os terroristas", disse Peskov a repórteres.

Novos ataques russos atingiram neste sábado posições rebeldes ao norte da cidade de Aleppo, no noroeste e no centro do país, de acordo com o OSDH.

O presidente francês, François Hollande, expressou neste sábado sua preocupação com a situação humanitária na Síria, e particularmente em Aleppo, "onde centenas de milhares de civis são ameaçados pelo regime apoiado pela aviação russa".

Neste contexto, os principais grupos de oposição anunciaram neste sábado que estavam prontos para uma "trégua temporária" proposta pelas grandes potências, desde que obtenham uma garantia do fim das operações militares dos aliados do regime.

Um cessar-fogo proposto em 11 de fevereiro em Munique pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG), que compreende 17 países membros e que é co-presidido pela Rússia e pelos Estados Unidos, deveria ter entrado em vigor na sexta-feira, mas os combates continuaram ininterruptamente.

"As facções rebeldes manifestaram o seu acordo de princípio sobre a possibilidade de alcançar um cessar-fogo temporário, desde que isso seja feito (...) com garantias obrigando a Rússia, o Irã e as milícias sectárias e mercenárias ligadas a eles a parar os combates", declarou em um comunicado o chefe do Alto Comitê das negociações (HCN), Riad Hijab.

Uma reunião da ISSG, a ser realizada em Genebra, neste sábado, foi adiada, segundo o porta-voz da diplomacia russa.

O secretário de Estado americano, John Kerry, admitiu na sexta-feira que restava "muito trabalho" a fazer antes de alcançar um cessar-fogo.

As negociações sob os auspícios das Nações Unidas entre o regime e a oposição, suspensas em 3 de fevereiro, seguem paralisadas.

Em quase cinco anos, o conflito já custou 260.000 vidas e levou milhões de pessoas ao exílio.

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