Hillary espera apoio afro-americano na Carolina do Sul

North Charleston, Estados Unidos, 26 Fev 2016 (AFP) - A corrida pela indicação do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos continua neste sábado, na Carolina do Sul, onde a pré-candidata Hillary Clinton espera contar com o apoio dos eleitores negros para vencer Bernie Sanders e ganhar impulso antes da "Super Terça".

Nesta etapa da campanha, Hillary exibe mais delegados para a convenção partidária, depois de vencer em dois dos três primeiros estados das prévias: Iowa e, mais claramente, em Nevada.

Na Carolina do Sul, onde 55% dos eleitores registrados para as primárias democratas em 2008 eram negros, ela aparece como favorita para mais uma vitória.

Para os eleitores da ex-secretária de Estado, o senador Sanders ainda é uma figura pouco conhecida no sul dos Estados Unidos.

"Ninguém sabe nada dele aqui. Não apareceu para o público por tanto tempo quanto Hillary", disse Olivia Brown, de 26 anos, em um comício da ex-primeira-dama, nesta quinta-feira.

"Hillary é um nome muito conhecido", acrescentou sua mãe, Sharon Williams, a professora de Ciências, de 57.

"Ela não se entrega. Tem um grande espírito de luta. É capaz de seguir adiante, de encontrar novos caminhos para recomeçar seus objetivos", disse Williams.

Todo o clã dos Clinton se transferiu para a Carolina do Sul, para não deixar nenhum fio solto nesta etapa essencial da campanha.

A esperança é que uma vitória na Carolina do Sul dará impulso para uma candidatura que, há apenas poucos meses, parecia imbatível e que começou a vacilar diante do carismático Sanders.

Acompanhada do ex-presidente Bill Clinton e da filha Chelsea, Hillary percorreu igrejas de comunidades negras e universidades para repetir a mesma mensagem. Nesse discurso, a ex-secretária se apresenta com um programa suficientemente sólido para romper as barreiras que ainda impedem que as minorias nos Estados Unidos melhorem sua posição.

"Há barreiras econômicas, barreiras sanitárias, barreiras educacionais. E também devemos ser honestos sobre um racismo sistêmico que ainda é um problema nos Estados Unidos", disse a pré-candidata, na quinta-feira, na Igreja Batista na cidade de Charleston.

Hillary também participou de um ato para arrecadar fundos, organizado a algumas centenas de metros do local, onde em junho do ano passado um jovem branco atirou dentro de uma igreja da comunidade negra. Nove pessoas morreram.

Jornada-chaveSanders, de 74, tinha na agenda discusar em um ato público e acompanhar um show. Como sabe que suas perspectivas não são animadoras na Carolina do Sul, porém, seu comitê de campanha não fez investimentos pesados.

Sua equipe já está concentrada nos estados que farão suas primárias em março, como Minnesota, na Super Terça, no dia 1º, e Ohio, no dia 15. Neste mês, as prévias representam pelo menos 45% de todos os delegados à convenção partidária, contra apenas 2% até agora.

"Há dúzias e dúzias de estados que virão depois. Em alguns desses estados, espero fazer uma boa votação e ganhar - e quem sabe por uma grande vantagem. Em alguns estados vamos perder", disse Sanders, em entrevista coletiva na quarta-feira.

Na "Super Terça" haverá primárias de ambos os partidos nos estados de Alabama, Arkansas, Geórgia, Oklahoma, Tennessee, Texas, Virgínia, Massachusetts, Vermont, além de "caucus" em Minnesota e Colorado. Os republicanos também votam no Alasca.

Desde o início de sua campanha no ano passado, Sanders recuperou muito do território perdido entre as minorias e recebeu o apoio público e entusiasta de importantes figuras negras, como o cineasta Spike Lee e o rapper Killer Mike.

Os laços supostamente sólidos de Hillary com a comunidade negra não estão, porém, livres de problemas.

Durante um evento reservado na quarta-feira, um representante do cada vez mais influente movimento Black Lives Matter (em tradução livre, "As Vidas dos Negros Importam") bateu boca com Hillary Clinton diante das câmeras de televisão.

Na discussão, o ativista recriminou a ex-primeira-dama por ter apoiado, em 1996, as políticas então aplicadas por seu marido Bill e que levaram a um aumento desproporcional das taxas de detenção de jovens negros. Na época, Hillary chegou a falar em "super depredadores", ao se referir a alguns dos jovens.

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