Julgamento de ex-enfermeiro de Auschwitz é adiado a 14 de março

Neubrandenbourg, Alemanha, 29 Fev 2016 (AFP) - Um tribunal de Novo Brandeburgo, no leste da Alemanha, começou a julgar nesta segunda-feira à revelia o ex-enfermeiro de Auschwitz Hubert Zafke, de 95 anos, mas pouco depois foi decidido seu adiamento até 14 de março.

Zafke, um antigo membro das SS, é acusado de cumplicidade no extermínio de ao menos 3.681 homens, mulheres e crianças judeus que morreram nas câmaras de gás ao chegar a Auschwitz, entre 15 de agosto e 14 de setembro. Entre eles estavam Anne Frank e sua família.

"Podem constatar que há uma cadeira vazia no banco da defesa", disse o presidente do tribunal, Klaus Kabisch, e explicou a ausência do acusado devido a um exame médico que concluiu no domingo que ele "tinha pensamentos suicidas" e advertia para possíveis "reações de estresse e hipertensão" no tribunal.

A acusação, que tentou sem sucesso destituir o juiz, considerado parcial, pediu uma nova avaliação de seu estado de saúde. Em um primeiro momento o tribunal havia considerado que não podia ser julgado, mas a decisão foi anulada em apelação.

Por sua vez, o advogado de Zafke, Peter-Michael Diestel, que foi o último ministro do Interior da RDA, disse que seu cliente está moribundo e que em breve comparecerá "ante o juiz supremo".

Zafke enfrenta uma pena de entre 3 e 15 anos de prisão, uma condenação principalmente simbólica levando-se em conta sua idade avançada.

A acusação compreende a chegada de 14 comboios de deportados que desembarcaram em Auschwitz procedentes de Lyon, Rodas, Trieste, Mauthausen, Viena e Westerbork, um campo de trânsito na Holanda onde estavam Anne Frank, seus pais Otto e Edith e sua irmã Margot.

A família da adolescente - que passou dois anos trancada em uma casa de Amsterdã para se esconder dos nazistas e cujo diário é famoso em todo o mundo - sobreviveu à "seleção" de Auschwitz entre deportados aptos para trabalhar e os que iam diretamente à câmara de gás.

No entanto, a mãe de Anne, Edith, morreu de cansaço na enfermaria em janeiro de 1945 e suas duas filhas pouco depois, antes da chegada das tropas britânicas.

Saúde precáriaO julgamento de Zafke, que se alistou nas Waffen SS, o corpo de elite dos nazistas, se focará na questão da saúde do acusado e se está em condições de ser julgado.

Zafke chegou a Auschwitz em outubro de 1943 depois de ter combatido no front do Leste em 1941. Em 1942 recebeu uma formação para se unir à unidade de saúde das SS.

Em junho de 2015, o tribunal decidiu que não poderia ser julgado devido ao seu estado de saúde, mas a decisão foi rejeitada em apelação após o relatório de um especialista que afirmou que o acusado tem "fracas capacidades físicas e cognitivas", mas não é "totalmente incapaz".

No entanto, nesta segunda-feira o tribunal presidido pelo juiz Kabisch quis examinar novamente a questão. A acusação civil acusa de parcialidade o juiz e pediu sua suspeição, assim como a promotoria, algo excepcional. Finalmente, a demanda de recusa do juiz e de seus dois assistentes foi rejeitada em 18 de fevereiro.

O caso Zafke forma parte da dezena de julgamentos ainda em andamento contra antigos membros da SS. Há alguns meses Oskar Groning, ex-contador de Auschwitz, foi condenado a quatro anos de prisão. Desde 11 de fevereiro, Reinhold Hanning, um ex-guarda do mesmo campo de 94 anos, está sendo julgado em Detmold (oeste).

"Este julgamento demonstra que a justiça às vezes precisa de muito tempo para encontrar seu caminho", disse à AFP Christoph Heubner, vice-presidente executivo do Comitê Internacional de Auschwitz.

Desde 1951 o acusado vive perto de Novo Brandeburgo, onde teve quatro filhos.

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