Justiça francesa investiga atribuição das sedes dos Jogos Rio-2016 e Tóquio-2022

Paris, 1 Mar 2016 (AFP) - A Justiça francesa abriu em dezembro uma investigação sobre suspeitas de corrupção na escolha das sedes dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e de Tóquio-2020 - indicou uma fonte judicial à AFP nesta terça-feira, confirmando uma informação revelada pelo jornal britânico The Guardian.

"Tratam-se de verificações" para avaliar se infrações foram cometidas, ressaltou a mesma fonte.

Realizada pelo Ministério Público Financeiro da França (PNF), a investigação é vinculada àquela que levou ao indiciamento do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), o senegalês Lamine Diack, em novembro passado.

De acordo com o Guardian, Diack é suspeito de ter servido de intermediário entre cidades candidatas a sediar as Olimpíadas e membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) que participaram das votações.

O senegalês já está sendo acusado de ter recebido propinas para acobertar casos de doping no atletismo.

O jornal inglês aponta que, em um primeiro momento, Diack teria apoiado a candidatura de Istambul para receber o evento em 2020, antes de mudar de ideia quando um patrocinador japonês fechou um contrato de patrocínio com a IAAF.

A atribuição dos Jogos ao Rio foi decidida em 2009, em Copenhague, na Dinamarca. Na votação, a Cidade Maravilhosa superou Madri, Tóquio e Chicago.

Quatro anos depois, em Buenos Aires, a capital japonesa acabou levando a melhor sobre Madri e Istambul.

A PNF também está investigando as condições da atribuição do Mundial de Atletismo de 2021, que acontecerá na cidade americana de Eugene, no Oregon.

O atual presidente da IAAF, o britânico Sebastian Coe, que substituiu Diack em agosto, é acusado de conflito de interesse, suspeito de ter influenciado a escolha de Eugene, berço da Nike.

Na época da decisão, em abril do ano apssado, ele ainda era embaixador dessa marca de material esportivo, e ocupava o cargo de vice-presidente da IAAF.

Eugene, que foi derrotada pelo Catar na disputa para receber o evento em 2019, foi escolhida para sediar a edição seguinte antes mesmo das demais candidaturas terem sido avaliadas.

Este procedimento excepcional já havia sido utilizado no passado, quando a cidade japonesa de Osaka obteve a organização do Mundial-2007.

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