Reviravolta em caso judicial sobre morte de procurador argentino Nisman

Buenos Aires, 1 Mar 2016 (AFP) - O caso sobre a morte, há 13 meses, do procurador argentino Alberto Nisman, ainda sem esclarecimento, tomou um novo rumo nesta terça-feira, após a juíza Fabiana Palmaghini se declarar "incompetente" e denunciar a procuradora que conduziu a investigação até dezembro.

Com a decisão, o caso passa para a justiça federal, como queria a acusação, diante da convicção de que a morte de Nisman foi homicídio.

A magistrada decidiu se afastar após ouvir na segunda-feira, por 15 horas, o depoimento de Antonio 'Jaime' Stiuso, um influente ex-agente de inteligência, destituído em dezembro de 2014.

Stiuso era o principal colaborador e crucial fonte de informação de Nisman para a investigação sobre o atentado da associação judaica AMIA, que deixou 85 mortos em 1994, em Buenos Aires.

Palmaghini, juíza criminal de Buenos Aires, tinha assumido a investigação em dezembro passado, depois de o caso ser conduzido por 11 meses pela procuradora Viviana Fein, cuja atuação foi criticada pela acusação.

Ainda não foi possível determinar se Nisman, que foi encontrado morto no banheiro de sua casa com um tiro na cabeça e a arma de onde saiu a bala alojada em seu corpo, se suicidou ou foi assassinado, e por isso a juíza não tinha aceitado até agora passar o caso à instância federal.

O corpo de Nisman foi encontrado em 18 de janeiro de 2015. No dia seguinte, o procurador deveria se apresentar no Congresso argentino para aprofundar uma denúncia feita dias antes contra a presidente Cristina Kirchner (2007/2015).

Ele tinha acusado Kirchner de encobrir ex-governantes iranianos acusados na Argentina de envolvimento no atentado contra a AMIA, uma denúncia que foi repudiada depois em várias instâncias judiciais.

No começo de 2015, Stiuso depôs diante de Fein antes de deixar o país. Após escutá-lo na segunda-feira, a juíza denunciou criminalmente a procuradora por ter omitido que na ocasião o ex-espião tinha considerado que a morte de Nisman foi um assassinato.

Além da acusação, participou da audiência o advogado de Diego Lagomarsino, assessor informático de Nisman e dono da arma, denunciado por ter-lhe emprestado a pistola, segundo declarou.

Lagomarsino era, ainda, um dos cotitulares, ao lado da mãe e da irmã de Nisman, de uma conta bancária em Nova York não declarada, da qual ele tinha a procuração.

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