Parlamento rejeita líder socialista Pedro Sánchez como chefe de governo

Madri, 2 Mar 2016 (AFP) - O líder socialista espanhol Pedro Sánchez recebeu nesta quarta-feira um não majoritário à sua investidura como chefe de governo e duras críticas, especialmente da esquerda, em um Parlamento transformado pela entrada de partidos emergentes.

Após nove horas de debates, a votação chegou ao resultado esperado: 219 votos contra, 130 a favor e uma abstenção para Sánchez, ex-professor de economia de 44 anos.

Com 90 deputados, seu partido foi o segundo nas legislativas de dezembro, mas o líder da primeira força, o chefe do governo em fim de mandato Mariano Rajoy, do conservador Partido Popular (PP, 123 deputados), declinou a tentativa de formar o governo por falta de apoio.

Esta eleição histórica terminou com décadas de bipartidarismo PP-PSOE, com a entrada de duas formações alimentadas pela indignação popular com as políticas de austeridade draconianas e com a multiplicação de escândalos de corrupção: Podemos (esquerda radical, 65 deputados) e Ciudadanos (centro-direita, 40).

Quase dois terços dos 350 deputados em uma câmara muito fragmentada são novos, muitos deles jovens e alguns com um estilo pouco convencional que simboliza seu repúdio à política tradicional.

Candidatura 'irreal'Após um mês de negociações, Sánchez só obteve o apoio dos 40 deputados do Ciudadanos e uma abstenção da deputada do partido regionalista Canaria, longe da maioria absoluta exigida para vencer em primeira instância.

Na sexta-feira, a partir das 18h30 locais (14h30 de Brasília), uma nova votação será celebrada, esta por maioria simples, embora se ninguém mudar sua posição, tampouco deveria conseguir.

A sua "candidatura é fictícia, irreal", declarou Rajoy. "Nós vamos votar contra sua investidura, porque o que o trouxe aqui é uma fraude", disse ele.

E, "especialmente porque procura liquidar o que foi feito na Espanha ao longo de quatro anos, que serviu, entre outras coisas, para que este país fosse resgatado, não caísse em uma situação de falência", acrescentou, lembrando que a crise de 2008 eclodiu sob o governo socialista anterior.

A Espanha saiu no final de 2014 de cinco anos de recessão ou crescimento zero e sua economia cresceu 3,2% em 2015. No entanto, o desemprego, um dos grandes dramas sociais do país, ainda é de 20,9%.

Mas os ataques mais duros a Sánchez vieram da esquerda.

Em seu primeiro discurso no Congresso dos Deputados, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, um cientista político de 37 anos que subiu ao palco com uma camisa branca simples sem gravata, criticou Sanchez por sua "capitulação" às políticas liberais dos Ciudadanos.

"Reivindique a política como a arte de mudar as coisas, e não como a arte de concordar com que tudo siga igual", exclamou em um discurso tenso. E ele o acusou de fazer "cocktails de diferentes sabores", em referência às várias propostas apresentadas pelo socialista à esquerda e à direita em seu esforço para conseguir o máximo de apoio.

Considerando que o acordo com o Ciudadanos era "contrário" ao que estava sendo negociado com Podemos, o partido de esquerda radical se retirou uma semana atrás da mesa de diálogo. Seguiram-no outros partidos menores de esquerda.

'Obedecer aos oligarcas'"Negocie conosco, deixe de obedecer aos oligarcas", disse Iglesias a Sánchez nesta quarta-feira.

Refutando seus ataques, o líder socialista defendeu o caráter "social" do programa apresentado ao Congresso na terça-feira, quando detalhou medidas com as ajudas de urgência aos mais desfavorecidos no local das concessões à centro-direita, por exemplo manter o barateamento da demissão.

"Não podemos entender como nos tenta vender que é possível uma agenda social de esquerdas com um programa político-econômico de direitas", exclamou o líder da coalizão verde-comunista Izquierda Unida, Alberto Garzón.

Sánchez voltou, apesar de tudo, a apelar às forças esquerdistas para que apoiassem sua candidatura, enquanto seu parceiro do Ciudadanos, Albert Rivera, um advogado de 36 anos, se impacientava: "os cidadãos nos olham esperando soluções (...), parem de brigar por suas siglas".

Sánchez também foi duramente atacado por se negar a negociar um referendo sobre a independência da Catalunha, à qual ele e Rivera se opõem tão energicamente quanto Rajoy.

"O que vimos até agora é uma cópia ruim do estilo do senhor Rajoy", afirmou o separatista conservador Francesc Homs. E o esquerdista catalão Joan Tardà advertiu que seu governo regional já avança no caminho rumo à separação, enquanto a Espanha se debate por formar um governo.

Se, no prazo de dois meses, nem ele Sánchez outro candidato conseguir ser empossado primeiro-ministro, a Espanha convocará novas eleições, a princípio em 26 de junho.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos